segunda-feira, 9 de julho de 2018

Há algo de familiar na solidão, como se se falasse com um velho amigo que há muito não se vê. Uma discussão aguerrida entre duas pessoas que concordam em tudo mas não aceitam a opinião um do outro.
Ninguém se devia habituar à solidão, quando a solidão se torna familiar, quando ela faz casa em alguém, é difícil de expulsar. É ao mesmo tempo uma droga viciante e um monstro a evitar a todo o custo. A solidão é progenitora de Deus e porteira das maiores criações e sonhos da humanidade, é também o maior depressivo à face da Terra.
O solitário para acabar com todos os solitários é aquele que procura viver os seus sonhos 24/7. Aquele que pensa que vai conseguir não é solitário, é tolo.
O sonho é condição necessária para a solidão. A solidão pega-se ao sonhador como um parasita e suga-lhe toda a vontade de realizar, não lhe suga os sonhos, a solidão alimenta-se da ansiedade e da vontade de viver.
Existe uma tristeza inerente aquele que é solitário, não por não viver a vida, não por só sonhar, mas pela sua incapacidade de perceber que a vida na sua essência, não é nada mais que a junção dessas duas coisas, o viver e o sonhar e que a solidão não é mais que uma barreira que separa a vida do sonho.



quinta-feira, 1 de março de 2018

Abre-te, Sésamo

Hoje vi a rapariga mais bonita, sentada no metro em direção ao cais.
Não era bonita no sentido de o ser, era uma daquelas pessoas cuja beleza transcendia todas as leis da física, naquilo que constitui ser um ser e criava leis novas sobre algo que seria (na nossa linguagem em relação a este tipo de assuntos que apesar de sabermos muito, será sempre a de leigo) a beleza mais bonita que a soma da beleza de cada uma das suas partes.
Normalmente nós referimo-nos à como algo é bonito ou como aquela parte de algo é bonita, hoje naquela rapariga -

Só quero dizer que vou no comboio a escrever isto e só agora reparei que a minha estação já passou à muito -

vi algo, nos seus cabelos loiros; no livro que lia, as "1001 Noites"; e na forma como não tirava os olhos do livro, o metro podia ter saído dos carris e poderíamos ter morrido todos que ela continuaria enterrada no seu livro.
Quando os filósofos se perguntavam qual a origem da beleza e se esta seria ou não subjetiva, nota-se que nunca nenhum deles nunca terá visto esta rapariga, se tivessem visto saberiam que a origem da beleza estaria indiscutivelmente no observador e não no objeto em si, e a subjetividade da beleza seria ponto nulo assim que eles tivessem, por uma vez na sua mísera, pobre, rotineira, infeliz vida de filosofo, olhado para algo como eu olhei para aquela rapariga.
Eventualmente ela saiu na sua paragem, e eu na minha para provavelmente nunca mais a ver, terei ficado triste? Não. Como um velho Ricardo Reis provavelmente diria, por uma vez, ainda bem que esta rapariga não me disse o seu nome, não falou comigo, nem sequer olhou para mim mais que uma vez, ainda bem que se foi embora e me deixou com estas questões para sempre, pois a minha despedida anterior, a minha desvinculação abrupta à fonte da essência desta minha filosofia, foi assim rápida, indolor e necessária.
E provavelmente, ainda assim fiquei com mais memórias que aquelas que me serão saudáveis, pelo que vou ter que exorcizar estes momentos e questões do que teria sido.
Dedico assim este texto à menina do metro, que os teus cabelos loiros façam alguém feliz e que alguém te dê 1001 noites como naquele livro do qual não tiraste os olhos.

Daquele a quem quase fizeste repensar uma filosofia de vida sem sequer o olhares nos olhos

André





terça-feira, 31 de outubro de 2017

pseudo semi manifesto


somos um mundo de representações sim
tudo a nossa volta e aproveitado ao maximo para criar uma imagem hiperbolada mais bonita e mais
de plastico de algo que na realidade e tão pior ou mais frequentemente mais simples
temos publicidade de todas as cores do arco iris de produtos faceis baratos e que nos matam aos poucos
atraves do trabalho gastamos a vida a produzir para tentar arranjar meios de comprar aquilo que nos salta aos olhos aquilo que todos tem aquilo que nos temos que ter para nao destoar a credibilidade coletiva do capitalismo corporativo contemporaneo
destruimos partes de nos para sermos mais um gemeo de prada
as gravatas ao pescoço sao forcas relogio na miserabilidade da rotina
lutamos guerras pela paz
tentamos impor paz a força
inseguros
insatisfeitos

vamos ao ginasio para manter uma imagem hiperbolada por fora para disfarçar que somos vazios por dentro
pagamos um copo a pessoas que desprezamos e comentamos os podres dos outros como se fossem as nossas vitorias pessoais
apaixonamo nos por premios de consolaçao porque mais tarde ou mais cedo descobrimos que amores de hollywood nao existem
gostamos mas nao amamos nao ha ouro prata serve vamos mas nao ficamos
amor de farsa amor sintetico
ate o sexo que e suposto ser a parte mais primitiva do ser humano e corrupta pela ideia de pornografia pessoal em que o que interessa nao e o nos mas a camara hipotetica em mim e na money shot
somos livres na nossa jaula
somos conscientes sob a influencia
somos egoistas e ao mesmo tempo vitimas da ganancia
somos moldados pelo mundo perfeito dos outros no instagram pelas fotos no starbucks e fotos na praia
o grande irmao ve nos atraves das nossas proprias camaras
nao fazemos decisoes deixamos para amanha ou depois ou depois dos 35 e perdemos assim a vida a investir em nada

somos uma geraçao sem objetivos sem vontade e uma geraçao de nenhuns uma geraçao pseudo semi orwelliana de pessoas sem opiniao em que todos pensam ser diferentes mas sao todos graos de areia

como formigas em fila
debaixo de uma lupa ao sol. 




quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tábuas

Poesia é a morte do não-artista, a folha o seu caixão.
Escrito foi o epitáfio daquilo que um dia foi um ser semi-vivo 
até ter sido morto pela poesia,
e reencarnado para a existência maior 
daqueles que contam os segundos da sua existência,
não pelos números mas pela essência.


O poeta nasce logo na primeira palavra pensada sem intuito 
senão a intuição do prazer e a chamada do dever intrínseco a criar algo novo.
O poeta constroi assim as tábuas do seu próprio caixão, 
deixando a cada palavra um pouco de si no seu túmulo.

Ou seja para o poeta existir tem que haver a morte, 
talvez a morte da inocência, mas o poeta nunca morre, 
anda no entanto numa valsa contínua com a morte, 
quase de lábios pegados, como uma amante.

(Entenda-se na morte metafórica tudo aquilo que mata (ou não), mas moi sempre.)

Sendo assim será um poeta algo maior? NÃO! 
Pois o que é o poeta senão mais que o homem, 
mas simultaneamente um homem e ainda menos que o homem? 
O poeta é, em última análise, só aquele que vive o mesmo mundo que o não-artista, 
mas que presta atenção, mesmo quando isso lhe custa, 
trágica e irreversívelmente, a sua inocência.




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ramblings and love bullshit about everyone and no one

I feel so fucking lonely. I love you so much. I hate writing in English.
Por alguma razão quando fico nervoso ou ansioso ou whatever, so consigo pensar em inglês. Ajuda-me a distanciar me de mim e a ter uma forma mais subjetiva e racional das coisas.
Se bem que não é muito racional porque racionalidade nunca foi o meu forte...

Sempre amei sem ponta, sem cerebro, sem limite. Amei com corpo e coração e o resto que se foda...
Mas o que se faz quando um coração habituado a amar fica preso um loop inexplicável durante um tempo interminável?
Ouvi dizer que se pode morrer de coração partido. Eu provavelmente vou morrer disso visto que tenho um coração tão sensível que não aguenta a solidão.

Quando falo em solidão tenho a noção do quão hipócrita estou a soar, quer dizer, passo os dias com pessoas que adoro ou amo até...

Mas não sei, quanto mais pessoas tenho à minha volta, mais quero enfiar a minha cabeça num buraco, não confesso o que me vai no coração a ninguém a não ser a este blog que, graças a Deus, ninguém lê.


Oh foda-se... Este é mais um texto de amor não é?


Penso em tanto e nada me sai, olho tanto e nada me agrada, amo te tanto, e...

Não sei o que fazer, não sei o que te dizer, e estou tão só... 
Vem. Vamos ser hipócritas juntos. Vamos odiar o mundo e amar mo nos um ao outro. Queixar mo nos dos problemas até sermos velhos, prometo fazer te massagens nas costas para acalmar os bicos de papagaio, e tu podes dar me as mãos para acalmar as artrites, sentados num alpendre num qualquer filme romântico, em frente ao pôr do sol e essas mariquices todas que eu adoro... 
Olharmos um para o outro até nos odiarmos também e depois nos apercebermos que nos amamos e assim apaixonar mo nos pela primeira vez todos os dias...


Até lá, amo-te 



P.S: Eu sei, eu sei... cheesy as fuck, mas eu tenho o direito a sonhar que um dia vou ter esse tipo de amor... Espero eu... E espero paciente...

P.S.2: -Entrou neste momento uma "boa nova" no meu quarto (para quem nao sabe é um tipo de borboleta), a minha avó costumava dizer que essas borboletas traziam boas noticias, esperemos que ela tenha razão.

P.S.3: Ly, até amanhã

05:07

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Insectos felizes

Pessoas, pessoas e mais pessoas. Passam nos seus carros, comboios e aviões. Alguns percorrem o mundo e outros apenas percorrem o caminho até ao trabalho. Vão em direção a sítios diferentes, mas sempre com o mesmo destino, a felicidade.

E agora pergunto-me, na história da humanidade, quantos é que chegaram lá?

Ainda estou para conhecer a pessoa que é completa, a pessoa que sabe, como um facto, que não precisa de mais nada na vida.
E este facto inegável da existência humana deixa me tão triste. Desiludido mesmo. O saber que por mais que faça, por mais que tenha, por mais que procure, nada me vai preencher o vazio daquilo que não tenho, daquilo que não fiz e daquilo que não procurei.

E isso leva-me a andar por aí, sentindo-me um insecto, como naquele livro do Kafka que me ficou a matutar na cabeça.
Muitos são insectos assim, perdem a esperança e andam por aí, desiludidos apenas. Vivem a vida, sabendo plenamente que nunca serão verdadeiramente felizes, que a felicidade em que muitos vivem é apenas uma ilusão criada por nós para nos sentirmos melhores com nós próprios, para darmos esperança à nossa vontade de viver de que um dia, talvez, possamos ser felizes.

Eu não me iludo, à muito tempo que não me sinto verdadeiramente "feliz".

Mas eu não serei insecto Kafkiano, em que a única solução é morrer para parar de ser um fardo.

Eu quero tentar, eu quero experimentar, pois se não chegarei à felicidade completa, quero estar o mais perto possível dela. Quero sentir a felicidade na ponta dos dedos, saborea-la na ponta da língua, olha lá nos olhos e dizer: "tu um dia vais ser minha". 

A felicidade é como uma mulher bonita que sabe que o é, não é "vim, vi e venci", tem que se conquistar com paciência. (Eu faço estas analogias com mulheres, mas não levem a sério porque eu estou solteiro Deus sabe à quanto tempo).

Resumindo quero desafiar Kafka, e dizer que se eu sou um insecto eu não vou morrer...

... Vou voar, hei de ter a minha metamorfose, hei de ser traça ou borboleta, hei de ser feliz ou morrer a tentar.





terça-feira, 23 de maio de 2017

Felicidade



24 de maio de 1998. Nasci. Era primavera. A minha mãe diz que estava a chover nesse dia. Acho que faz todo o sentido estar a chover.

Eu sempre gostei de chuva, acho-a de certa forma purificante. Se como quando estou à chuva todos os meus pecados deslizassem por mim como areia pelas mãos de uma criança.


Mas hoje não chove.



24 de Maio de 2017. Continua a ser primavera. Estão 30 graus lá fora e se o amanhã não existir, que o hoje seja um festão do caralho.

Porque o agora não é mais garantido que o amanhã e o ontem já passou. É assim, efémero, o momento que passa e não nos diz nada. Inútil, o momento que não nos deixa um sabor na boca e um peso no coração.

Portanto sentirei a energia do momento, de todos os luminosos prazeres intrínsecos a cada lugar único exposto à quarta dimensão.

Viverei com emoção todo o momento emotivo a que serei é exposto não deixando pingas no final do copo ou suave beijo por dar.

Dar-me-ei por completo ou não de todo. Abrir me hei a quem quiser, corpo e alma.

Fumar, beber, foder, gritar, beijar, sei lá, mas farei.

Eu farei. Hoje não quero deprimências. Hoje podia queixar-me mais uma vez de como não tenho um corpo para me aquecer a cama a noite, ou de como em última análise a vida passa e significa zero, mas não. Hoje não quero chorar. Hoje sou feliz, amanhã logo se vê.

Alguém me disse uma vez "faz da vida o teu palco, e para ti, um eterno aplauso".

"E se inventassemos o mar de volta?"

Porque no final, como alguém me disse uma vez: "até é uma boa vida, André Ginja."







"Please, remember me. Happily"





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.