quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dele...

E a mim? Achas que não me custou sair pela porta daquele 5º andar? Juro que às vezes preferia ter saído pela janela...
Tu já sabes o que aconteceu depois, se não sabes imaginas.
Enfiei-me num bar a quilómetros de casa, de ti e enfrasquei-me, bebi whiskey até não poder andar, agarrei numa gaja qualquer que fodi no carro e tentei esquecer-me de ti.
Escusado será dizer que não deu. Apenas a tua imagem aparecia a cada investida que fazia. Foi constrangedor, não o voltei a fazer. E por respeito a ti tirei a aliança, que é mais do que tu alguma vez fizeste por mim.
Eu sinto a tua falta, sinto mesmo. Mas o orgulho é maior que eu, sabes que sempre me considerei um mundo antes de me considerar um homem, mas às vezes não passo de um rato.
Talvez eu não seja mais que um rato nojento, um mártir daquela merda a que chamam amor. Provavelmente até nem sou mais que isso, até nem sou mais que a chuva que cai ou o soldado que desertou.
Tem pena de mim, eu quero que tenhas, tem pena da pessoa que sou sem ti. Já devíamos estar habituados a isto, mas como nos habituamos a ser miseráveis?
Quem é que tomou quem por garantido? Acho que tentamos responder a essa pergunta tantas vezes que acabamos a trocar mentiras por vantagens.
E a chuva toca-me no rosto e tem um toque suave como o teu. Estou encostado ao carro no meio do nada, ouve se uma respiração de dentro do carro e não és tu, custa me tanto ter que estar com outra pessoa que acho que nem sei o nome. O único som audível em quilómetros é o som do meu cigarro a queimar, eu sei que prometi deixar de fumar, mas eu também prometi cuidar de ti até que a morte nos separasse.
Se eu falhei a cuidar da pessoa mais importante da minha vida, para que mais sirvo?
Considero voltar, será que me abres a porta? Se eu te chamar querida, disser que te amo e te fizer sexo oral deixas me voltar? Pois talvez não, se estiveres como eu, a sentir a raiva do próprio corpo e a quebra da própria alma.
O sol já nasce, e caio de joelhos, espero um momento para observar a segunda coisa mais bonita do mundo e dou um ultimo gole no whiskey antes de partir a garrafa.
Apercebo-me que assim como a garrafa eu parti te, e vi te por dentro, e vi as tuas cores e vi que por dentro eras feia, feia como eu, e satisfiz-me em ti.
Ás vezes gostava de estar morto demais para chorar, mas vivo para que tu me assombrasses.
Então faz me um favor. Pede me para voltar, pede me para ficar. Eu quero saber que te pertenço e não me deixes sair outra vez pela porta, quanto muito pela janela.










0 comentários:

Enviar um comentário

Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.