quinta-feira, 11 de junho de 2015

Um adolescente repassado

Roubei uma garrafa de Logan ao meu pai e peguei na guitarra, levei a para o telhado porque sempre achei como sentimentalista romântico que sou, que tudo é mais bonito debaixo de um mar de estrelas, incluindo a minha miséria.
Não sai nada de jeito, pensei que talvez fosse hoje que escrevia a melhor música de todos os tempos. Mas só me sai metade da música o nome dela e a outra metade "foda-se".
Como podem ver é tão imaginativo como uma música da Ellie Goulding...
Mas hoje nem as estrelas são bonitas, a estrela polar está mais brilhante que nos outros dias.

O que eu não dava para que ela estivesse comigo, aqui, a observar...
O que eu não dava para que ela estivesse comigo, aqui...
O que eu não dava para que ela estivesse comigo...
O que eu não dava para que ela estivesse...
Não está, começo a habituar-me à ideia, e repito estas palavras até a exaustão.

Olhem já bebi metade da garrafa. Não que isso seja relevante de alguma forma mas pronto apeteceu-me partilhar.

Cada gota de álcool que me passa no goto é menos um segundo que sinto a tua falta, e canto...
Canto a ti e a mim, e a nós, se esse ainda existir.

Faço brindes a tudo:
"Que os meus filhos tenham pai rico e mãe bonita" - bota abaixo
"Que a minha mulher nunca fique viúva"- bota abaixo
"Que chegue ao céu meia-hora antes do diabo saber que morri"- bota abaixo

E um brinde especial!
"A ela, que viva bem e comigo sempre, quer eu esteja lá ou não, mas de preferência..."
Pelo que vivemos e vamos viver, juntos ou não.

Vou parar com a bebida, se eu fosse brindar a ela tudo o que ela merecia entrava em coma alcoólico.

Volto-me para a guitarra, toco a nossa musica, desafino-a, não me interessa. Eu só quero tirar a angústia.
Com a garganta quente, um ardor no coração, a tua imagem na cabeça e uma lágrima nos olhos, canto.
E grito.
E desafino.
E chamo tudo ao mundo por ser tão cruel.
Porque é tive que escolher uma música tão bonita para uma mulher tão bonita?

Belo, agora é a altura da noite em que começam as dúvidas existenciais e a procura pela razão ingrata da minha incurável tristeza.
Começo pela pergunta do costume, "o que é que eu fiz?", a culpa é minha claro que é, eu não fiz o suficiente, ou se calhar fiz de mais, não sei mas a culpa é minha!
Depois segue-se o "mas será que ela ainda sente alguma coisa?", e eu infiro muito nesta questão, não porque não saiba a resposta certa, mas apenas porque quero ouvir a errada.
E depois de muitos minutos de pseudo-filosofia e previsão dependente vem a pergunta para um milhão de euros,
"Será que se eu fosse ter com ela neste momento, e a beijasse, levava um ou dois estalos?"
Mas ainda mais importante na minha opinião "Será que me importo?".

Largo a guitarra e volto para dentro, deito-me na cama e perco tempo a escrever este texto inútil que estou simplesmente a usar para me queixar como faço sempre.
Sinto urgência em amar, prefiro procrastinar, e queixo-me.
O que vale é que a imagem dela tráz me bons sonhos...



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About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.