sábado, 14 de novembro de 2015

Fado da mulher apaixonada

Eras o meu homem. Sim, meu. Com todas as letras? M. E. U...
É tão bom quando podemos chamar algo de nosso. Especialmente quando esse algo tem voz grossa e beija tão bem.
Sabes porque é tão dificil deixar te ir?
Porque eras o meu melhor amigo. Antes de qualquer outra coisa. Antes de amante, antes de confidente, antes de seres o meu mundo, eras o meu melhor amigo.
Desempenhaste o papel na perfeição, nisso não me queixo.
Mas explica-me qual foi o momento em que deixaste de me conhecer? Qual foi o momento em que me tornei apenas mais uma cara no cenário da tua vida? Um grão de areia? Uma... sei lá...
Custa-me olhar-te e que não me olhes de volta, custa-me ouvir te falar na tua namorada (ainda bem que estás feliz, mas eu tenho o direito a queixar-me).
Mas que podiamos nós ter feito? Podiamos ter fugido à lá Lolita. Imagino-me de flor na orelha e vestido sensual e tu ao volante a esforçar-te por fazer a difícil decisão de dividir o olhar entre mim e a estrada. Para onde? Não sei, a resposta clássica seria: "para onde o vento nos levar." Mas eu iria contigo até onde tu quisesses.
A parte mais gira? Estragamos tudo numa noite.
Estavamos tão atraídos, eu amava-te, e o meu instinto de mulher sabia o que queria. Queria-te a ti. Era a verdade nua e dura. Tal como te queria a ti.
Eramos lâminas nos pulsos. Se estavamos longe queriamo-nos e magoávamo-nos, se estavamos perto tinhamos medo.
Estavamos a oceanos de distância, mesmo que estivessemos abraçados. Talvez tu fosses isso mesmo. Um oceano. Grande, vasto, misterioso e bonito. E eu uma pedra no fundo desse oceano. As tuas marés moviam me, e eu seguia-te para todo o lado. E estavamos vivos, estavamos em sintonia, estavamos alí...
E se estivemos... estive como nunca estive. Estive com quem queria estar. Estive como queria estar. E estive tão bem.
Admite que fomos felizes. Fomos felizes nas noites que nos separaram, que por coincidência foram aquelas que nos juntaram. Fomos felizes no constrangimento e na culpa, no facto de sabermos que tinhamos medo com razão, que apesar dos batimentos sincronizados e das promessas de espera por medo da solidão, do facto de querermos estar alí e acima de tudo de estarmos apaixonados, loucamente, no amor mais piroso e lamechas que a humanidade ja viu (qual Romeo e Julieta ou Bonnie e Clyde?), o coração que nos juntou debaixo das velhas estrelas é o mesmo que nos impede de lá ficar, não podemos por gostarmos demais um do outro.
Nem 8 nem 80. É o amor perfeito, das duas uma, ou nos amamos demais ou não nos amamos de todo.
E seguimos cada um a nossa estrada, a tua ornamentada com grãos de café, borrões de tinta e conchas e a minha com a memória do teu sorriso de todas as noites que passaste comigo.




"La la la la la la la la lovely as you are my dear"


2 comentários:

  1. "E seguimos cada um a nossa estrada, a tua ornamentada com grãos de café, borrões de tinta e conchas e a minha com a memória teu sorriso de todas as noites que passaste comigo." lovely

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About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.