quinta-feira, 6 de julho de 2017

Insectos felizes

Pessoas, pessoas e mais pessoas. Passam nos seus carros, comboios e aviões. Alguns percorrem o mundo e outros apenas percorrem o caminho até ao trabalho. Vão em direção a sítios diferentes, mas sempre com o mesmo destino, a felicidade.

E agora pergunto-me, na história da humanidade, quantos é que chegaram lá?

Ainda estou para conhecer a pessoa que é completa, a pessoa que sabe, como um facto, que não precisa de mais nada na vida.
E este facto inegável da existência humana deixa me tão triste. Desiludido mesmo. O saber que por mais que faça, por mais que tenha, por mais que procure, nada me vai preencher o vazio daquilo que não tenho, daquilo que não fiz e daquilo que não procurei.

E isso leva-me a andar por aí, sentindo-me um insecto, como naquele livro do Kafka que me ficou a matutar na cabeça.
Muitos são insectos assim, perdem a esperança e andam por aí, desiludidos apenas. Vivem a vida, sabendo plenamente que nunca serão verdadeiramente felizes, que a felicidade em que muitos vivem é apenas uma ilusão criada por nós para nos sentirmos melhores com nós próprios, para darmos esperança à nossa vontade de viver de que um dia, talvez, possamos ser felizes.

Eu não me iludo, à muito tempo que não me sinto verdadeiramente "feliz".

Mas eu não serei insecto Kafkiano, em que a única solução é morrer para parar de ser um fardo.

Eu quero tentar, eu quero experimentar, pois se não chegarei à felicidade completa, quero estar o mais perto possível dela. Quero sentir a felicidade na ponta dos dedos, saborea-la na ponta da língua, olha lá nos olhos e dizer: "tu um dia vais ser minha". 

A felicidade é como uma mulher bonita que sabe que o é, não é "vim, vi e venci", tem que se conquistar com paciência. (Eu faço estas analogias com mulheres, mas não levem a sério porque eu estou solteiro Deus sabe à quanto tempo).

Resumindo quero desafiar Kafka, e dizer que se eu sou um insecto eu não vou morrer...

... Vou voar, hei de ter a minha metamorfose, hei de ser traça ou borboleta, hei de ser feliz ou morrer a tentar.





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About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.