quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tábuas

Poesia é a morte do não-artista, a folha o seu caixão.
Escrito foi o epitáfio daquilo que um dia foi um ser semi-vivo 
até ter sido morto pela poesia,
e reencarnado para a existência maior 
daqueles que contam os segundos da sua existência,
não pelos números mas pela essência.


O poeta nasce logo na primeira palavra pensada sem intuito 
senão a intuição do prazer e a chamada do dever intrínseco a criar algo novo.
O poeta constroi assim as tábuas do seu próprio caixão, 
deixando a cada palavra um pouco de si no seu túmulo.

Ou seja para o poeta existir tem que haver a morte, 
talvez a morte da inocência, mas o poeta nunca morre, 
anda no entanto numa valsa contínua com a morte, 
quase de lábios pegados, como uma amante.

(Entenda-se na morte metafórica tudo aquilo que mata (ou não), mas moi sempre.)

Sendo assim será um poeta algo maior? NÃO! 
Pois o que é o poeta senão mais que o homem, 
mas simultaneamente um homem e ainda menos que o homem? 
O poeta é, em última análise, só aquele que vive o mesmo mundo que o não-artista, 
mas que presta atenção, mesmo quando isso lhe custa, 
trágica e irreversívelmente, a sua inocência.




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Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.