Por vezes vou-me deitar a pensar na minha importância e a maior parte das vezes chego à conclusão que sou um miúdo... sou um miúdo ingénuo, inconsciente e irresponsável, um aspirante a pseudo-escritor que só se sabe queixar, uma criança neste mundo de adultos, alguém que se apega demais e no final se torna dispensável, um louco apaixonado numa cidade que nunca dorme e milhares de oportunidades, oportunidades que apenas um louco não aproveitaria...
Mas eu gosto...
Gosto de ser louco e apaixonado, gosto de escrever mesmo que saia uma merda, gosto de ser esta criança grande que vê bondade em toda a gente, e adoro ser um inconsciente e ingénuo que se atira de cabeça mesmo que isso apenas lhe proporcione alguns segundos de prazer (segundos esses que por vezes valem uma vida).
Eu não sou o amor da minha vida, até porque costumo pôr as pessoas de quem gosto à frente de mim próprio (um principio muito bonito, mas estúpido e nunca reciproco).
Mas gosto de mim, apesar de não ser a pessoa mais bem-parecida à face da Terra, nem a mais engraçada, nem a mais interessante (nem a mais fácil de aturar). A minha vida é uma peça de teatro e eu gosto de olhar a plateia nos olhos e ser eu próprio, gosto de ser parte da peça de outros por mais pequeno que seja o meu papel, gosto de ver o que me espera quando a cortina se levanta e acima de tudo gosto de ser parte do meu futuro porque nesse, ninguém me tira o papel principal.
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