terça-feira, 31 de julho de 2018

Revelação Niilista pt.1


Uma revelação caiu sobre mim como a noite cai num dia de verão. A vida não dura para sempre. A vida existe o tempo que existir, nos estamos cá na nossa existência mísera e insignificante e depois desaparecemos. Desaparecemos para o desconhecido para sermos esquecidos e engolidos pelo vácuo do espaço e é como se nunca cá estivéssemos estado.
Um perpétuo estado de nada. Uma vida que no seu cerne, não é mais que uma coincidência passageira num universo cheio delas.
Ou então, na melhor das hipóteses somos um erro da criação, a quem deram a consciência, ou melhor, a penitência de olhar perpetuamente para cima e para fora, porque nos fizeram vazios demais para olharmos para dentro.
Se Deus nos fez, porque nos fez Ele? Senão para nos observar como um Pai desapontado?
A vida, seja qual for a sua origem, tem toda o mesmo fim, o fim desta.
Há algo de cruel em dar um mundo cheio de oportunidades e momentos, e em dar uma estrutura capaz de guardar esses momentos até ao ínfimo pormenor, e não dar tempo suficiente para explorar tudo.
Existem selvas e savanas, desertos e metrópoles, amores e amizades, alegria e tristeza, e nem num milhão de vidas o ser humano conseguiria explorar tudo aquilo que o mundo oferece.
Receio procurar o valor intrínseco da vida porque tenho medo de chegar à conclusão de que não existe, como uma criança que descobre que magia não é mais que uma ilusão visual.
Que valemos então? Um conjunto de átomos e partículas não mais valiosas nem mais essenciais que qualquer conjunto de partículas que exista no universo. Lavoisier disse que "no Universo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", então tem que existir uma parte da nossa existência que fica depois da desintegração da parte corpórea, o que significa que nós nunca desaparecemos mesmo. Para muitos isso é um alívio, para outros é um receio, para outros é uma felicidade. Para mim é um "ok, existo mas não estarei vivo". Até que ponto é que isso é melhor ou pior, ou até diferente do meu estado de espírito?

sexta-feira, 27 de julho de 2018

In Other Words


A Lua corou hoje
Talvez lhe tivessem dito aquele ditado do banco e do tamanco
Ou talvez lhe tivessem dito coisas bonitas
Mas duvido, nunca ninguém lhe presta atenção,
É só aquela coisa que aparece todas as noites e nunca muda.
Talvez ela se tenha fartado disso e hoje queira chamar a atenção.
A Lua vestiu um dos seus melhores vestidos vermelhos hoje.
Aperaltou-se como quem vai para uma festa e não sabe o dress code.
Que tonta! Não sabe que aqui na terra o melhor que se faz, faz-se sem roupa.
A Lua hoje está vermelha.
Um vermelho claro que não é encarnado,
Mas também não é cor de rosa.
É cor-de-burro-quando-foge
É cor-de-Lua-quando-ela-nao-sabe-de-que-cor-quer-ser
A lua hoje está vermelha.
Vermelha de que? De sangue?
Nunca lá morreu ninguém.
Nem nunca ninguém morreu por ela.
Ela até merecia que morressem por ela.
Mas mais gente já morreu por razões estupidas do que pela Lua.
Espero que olhem para a Lua hoje
Ela está bonita
Devíamos todos procurar olhar para as coisas bonitas
Mesmo quando elas parecem banais, às vezes basta elas mudarem um bocadinho,
ou o observador mudar a perspectiva.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Há algo de familiar na solidão, como se se falasse com um velho amigo que há muito não se vê. Uma discussão aguerrida entre duas pessoas que concordam em tudo mas não aceitam a opinião um do outro.
Ninguém se devia habituar à solidão, quando a solidão se torna familiar, quando ela faz casa em alguém, é difícil de expulsar. É ao mesmo tempo uma droga viciante e um monstro a evitar a todo o custo. A solidão é progenitora de Deus e porteira das maiores criações e sonhos da humanidade, é também o maior depressivo à face da Terra.
O solitário para acabar com todos os solitários é aquele que procura viver os seus sonhos 24/7. Aquele que pensa que vai conseguir não é solitário, é tolo.
O sonho é condição necessária para a solidão. A solidão pega-se ao sonhador como um parasita e suga-lhe toda a vontade de realizar, não lhe suga os sonhos, a solidão alimenta-se da ansiedade e da vontade de viver.
Existe uma tristeza inerente aquele que é solitário, não por não viver a vida, não por só sonhar, mas pela sua incapacidade de perceber que a vida na sua essência, não é nada mais que a junção dessas duas coisas, o viver e o sonhar e que a solidão não é mais que uma barreira que separa a vida do sonho.



Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.