Apesar de deambular com o nascer do sol mais bonito à minha frente, tenho os olhos no telemóvel à minha frente. Liga-me. Já. Estou à espera.
Estou impaciente, eu sei. E também sei que não devia estar. Mas agarro-me à esperança de uma chamada. Onde andas?
Espero pela tua voz mas não quero esperar. Mas não é como se tivesse escolha. És como és e fazes o que fazes. E eu nada posso fazer.O sol encandeia-me os olhos sensíveis. Sem forma de aguentar a luz. Cega.
Tu, a noite e a bebida puseram-nos assim. Por falar em bebida, vamos encher um copo para passar o tempo, não fará mal nenhum.
Continuas sem me dizer nada. Onde estas, homem? Encara-me. Liberta-me.
Talvez isto seja um aviso para o perigo. Quando não se vêem os sinais e se ignoram os sinos.
Dalila fez o mesmo a Sansão. Deitou-se com ele, e cortou-lhe o cabelo enquanto ele dormia, tirando lhe a força, depois deixou-o para ser capturado, cegado e humilhado. Posso dizer que a minha raiva é igual à de Sansão depois disso. E ele derrubou os pilares de um templo...
... mas o templo caiu lhe em cima. Tal como tu me fazes ruir a mim. Ensinaste me a dançar apenas para me fazer dançar para ti. E eu nunca parei de dançar.
Porque? Porque eu, pobre rapariga que sou, sou Sansão. Mas queria ser Dalila. Talvez se te magoar como tu me magoas eu me liberte. Mas a verdade é que ainda estou à espera da tal chamada. Como eu te cortava o cabelo se conseguisse...
Será que sou não que não sei escolher. Cada tiro, cada melro. Cada rapaz, cada mentira. Sem sorte.
Talvez seja por sorte que existam aqueles comprimidos da sorte que ajudam a esquecer e a passar o tempo.
Eu vou ficar bem. Eventualmente. Quando eu quiser. Mas hoje não. Hoje não quero.
Sinto me um pano molhado estendido à varanda. Perdendo cada vez mais a cor cada vez que sou exposta assim.
Como a Sansão, tiraste me as forças, Dalila. Fui cegada e acorrentada por causa de ti. E não me libertei, não... em vez disso aprendi a dançar para ti, e arrastei as correntes.
E agora... o templo cai me em cima.
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