domingo, 20 de setembro de 2015

Particulas

A primeira lei da termodinâmica diz (aqui explicado de uma forma MUITO simples) que "a energia não se cria, nem se destroi, apenas se transforma".
Tudo no universo é composto por particulas, partículas essas que são compostas por matéria que por sua vez é, em parte, energia. Eu sendo um homem das humanidades esta não é a minha "praia". Ou seja este é o "grosso" da questão e está muito incompleto e por mais que eu tente pesquisar em dicionários, enciclopédias e livros de "física para idiotas", nunca irei perceber a questão verdadeiramente.
Mas eis uma parte que eu percebi. Eu, o leitor, o seu animal de estimação e o pássaro na rua ja foram, e vão ser, muito mais do que são.
As partículas que me compõem podem ter estado num dentes-de-sabre, na idade do gelo; numa bruxa queimada na idade média ou até na explosão da bomba atómica, poderão até vir a estar numa supernova.
A unicidade do Homem do ponto de vista cientifico é incrível. Em muitos aspectos os seres humanos são iguais até a um nível molecular, mas é impossível encontrar duas pessoas com impressões digitais iguais.
Mas quem se lembrará de um conjunto de partículas?
Aí entra a minha área, as letras, a história. A história grava os mais memoráveis conjuntos de partículas na eternidade.
A história dá a oportunidade de assegurar que a única vez que aquelas partículas se juntam daquela forma não é esquecida.
Mas é uma oportunidade, alguma vez ouviu falar no Joaquim Filipe que morava nos Olivais e morreu de cirrose? Eu também não. Mas nomes como Picasso, Einstein e Beethoven são reconheciveis até à mais ingénua mente.
As páginas da história e o tempo não esperam por ninguém.
E todos queremos o nosso lugar nos livros.

A ciência dá nos nomes: partículas, átomos, energia. A história grava nos no mundo.
Os Homens não são mais feitos de partículas do que são de memórias.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Leave me out with the waste. This is not what I do.

Hoje escrevo. Porque calha. Porque me apetece.
 O engraçado é que o tema é sempre o mesmo. Esteja eu feliz ou triste, cansado ou energético, bêbedo ou sóbrio. O quanto te amo e o quanto te quero e as saudades que tenho tuas e blá blá blá...
Consigo escrever um texto sobre ti com 28 páginas sobre o quão única és e mais umas quantas sobre o resto de ti. Mas tu não o irias ler. Estás tão cansada de ler sobre ti...
Aposto que ser o centro do mundo de alguém é cansativo.
Existem cerca de 7 biliões de pessoas na Terra e aposto que nenhuma me faz atrapalhar tanto a falar como tu. Eu acho que as palavras quando saem da minha boca tem todas pressa de te ver e acabam por tropeçar umas nas outras.
Ora ca estou eu a elogiar te, eu às vezes quero por te defeitos. Tens tantos, mas fico tão distraído no resto que os defeitos passam me ao lado.
Ficamos cegos quando mais precisamos de ver, e quão bonito é isso?
Mas contigo tem que se ser sombrio, escuro o suficiente para ver a tua luz.
Nunca soube se te levava à loucura? Ou libertava-te simplesmente?
Tudo o que alguma vez precisamos foi um colchão onde deitar a nossa desgraça.
Quantos textos já foram escritos sobre ti? Os suficientes? Não chegam para dizer tudo...


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Yin-yang

Ele vive do lado direito da rua quando se desce e dorme numa cama de mogno.
Ela vive numa casa na árvore e dorme numa gaiola dourada sem porta.

Ela quer mudar o mundo com arte, pensa em Banksy e pensa em alternativo. Faz yoga ao som de Linda Martini. O barulho acalma-a.
Ele acha que a música vai mudar a sua vida e quer ser independente. Vai à loucura ao som de Damien Rice. A calma excita-o.

De dia ela é uma criança e ele um homem.
De noite ele é uma criança e ela uma mulher.

Ele aquece se com um cobertor de lã.
Ela aquece se com pele de lobo.

Ele tem tantas guitarras quanto ela tem desenhos.
Ela tem tantos desejos como ele vontade de os concretizar.

Ele chora no Forrest Gump.
Ela chora no À Procura de Nemo.

O jardim dele cresce cactos.
O dela cresce as rosas mais bonitas.

Ele veste se de preto e é discreto.
Ela veste se de branco e parece um anjo enquanto o seu sorriso encandeia a sala.

Ele é tímido e atrapalha se a falar.
Ela de hoje para amanhã arranja uma tatuagem nova, um novo piercing e um amante.

Ele quer ver o mundo.
Ela quer ver o mundo.

Ela sonha ser feliz.
Ele sonha com ela.






terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ouves a música?

Sempre achei que os discos tinham a solução para todos os problemas da vida, principalmente os relacionados com relacionamentos.
Dei por mim a procurar respostas muitas vezes neles.
Começo nos Pink Floyd, passo pelos Supertramp, o James Bay e até os Iron Maiden. O Bob Marley diz que vai ficar tudo bem e pergunta-se se é amor que acontece na sua cama de solteiro, os Rolling Stones não se satisfazem, o David Bowie continua a procura do Major Tom e o Bryan Adams lembra-se de uma posição sexual que não é a solução que procuro mas junta-lhe uma pitada de "Grease" e poderá muito bem ser "The One That I Want".
Percebo que não achei solução nenhuma, que todos os sentimentos, emoções e experiências que aqueles artistas passaram a vida a documentar, a aperfeiçoar e a harmonizar, serviram talvez para que o ouvinte se relacione e não se sinta sozinho mas ao mesmo tempo se sinta único. Mas não para resolver problemas, de raiz amorosa ou outra qualquer, a música poderá ser um meio, mas não um fim.
Estarei a procurar nos sitios errados? Talvez, a solução dos meus problemas até pode estar num objeto circular de policloreto de polivinila.
Se está, ou onde está, não sei. Os positivistas e gurus dizem que está em nós próprios, os altruístas dizem que está nos outros, os românticos dizem que está "nela/nele".
Eu digo que não sei, mas hei de descobrir. E quando o fizer vou assegurar me que tu, que estás a ler isto és dos primeiros a saber, combinado?

"E aqueles que foram vistos a dançar, foram julgados como loucos, por aqueles que não conseguiam ouvir a música" - Friedrich Nietzche



 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

De: mim. Às horas menos adequadas

Tenho um dedo no botão "enviar", se o largar o destinatário receberá uma mensagem no telemovel com apenas duas palavras, duas palavras que repito todos os dias. Essas palavras separadas não são nada de especial, sao apenas... palavras. Secas, banais, insonsas. Mas quando se juntam fazem um dos maiores, mais intensos e mais queridos desejos que um ser pode querer a outro.
Mas nao sei se largue o botão, até uma expressão como esta pode tornar se chata, enjoativa ou, no pior dos cenários, repulsiva se repetida até à exaustão pela pessoa errada.
Sinceramente só quero mostrar ao destinatário que me recordo da sua imagem todas as noites, e no fundo até quero que seja recíproco, mas sei que sou a pessoa errada e causar repulsão com a ideia de desespero é a pior sensação para qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de laço emocional com outra.
A ideia de desespero é agonizante para os dois lados, para quem procura pois sente que aquela pessoa ja não sente qualquer tipo de atração ou carinho por ela, até pode não ser verdade, mas o beneficio da dúvida não se aplica e parte se logo para a conclusão mais precipitada e, por consequência, a pior. Para a parte que é procurada para além do possivel sentimento de desconforto e constrangimento de sabermos que há uma pessoa que nos procura e que nos quer tanto e nós não queremos dar o mesmo tanto de volta há ainda o sentimento de que se se é a ultima escolha, pois se aquela pessoa está desesperada quer dizer que já gastou todas as outras primeiras hipóteses até chegar a mim, e ninguem gosta de ser segunda escolha quanto mais a última.
Mas talvez se eu deixar na caixa de mensagens aquelas duas palavras hoje, talvez num outro dia, ela pense, "todos os dias ele me lembra que se lembra de mim". E só o facto de aquelas palavras a levarem a lembrar se de mim naqueles segundos possam valer a pena. Ou então passo pelo papel de stalker desesperado, ou ainda, na pior das hipóteses passo despercebido e ignorado.
Oh pah que se lixe, só se vive uma vez e essas tretas todas, quem não arrisca não petisca certo? 

- e larguei o botão

Lá vai um sms com as duas palavras que me assombram, anseiam e me fazem questionar se fiz bem ou cometi um erro. São só duas palavras é certo. Mas são duas que podem acabar com o ultimo fio de uma relaçao ou fortalecer o mais fraco afeto.


- Eu: "Boa noite"






quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Só quero ser bebé

Se pudesse era bebé para sempre.
Os bebés para além de serem incrivelmente adoráveis, são seres cruéis, egoístas, egocentricos e manipuladores que se aproveitam disso.
Adorava ser bebé por várias razões simples e obvias:
Para além das minhas preocupações passarem apenas por dormir, comer e brincar (os quais nem tenho que saber fazer porque haverá sempre algum otário disposto a fazê-lo por mim), se quero alguma coisa podes apostar que a quero JÁ!!
Se não me a deres vou gritar como se estivessemos num filme do Hitchcock, muito simples.
E o melhor de tudo:
Qualquer zanga ou culpa que ponham em cima de mim dura no máximo 10 minutos porque eu sou adorável.
"Olhem para mim, sou tão fofinho, sou o pináculo da natureza humana, sou o estado primário de qualquer um de vocês, só que melhor porque tenho estas bochechas gordas! Agora passa para cá as tetas que eu tenho fome...".
Um crescido tem que trabalhar para as coisas, ter muita sorte ou (lá está) ter carinha de bebé. Um crescido tem que se conformar com o mundo e os problemas que este tráz, contas, amores... enquanto um bebé pode dizer "eu quero é que vocês vão todos pentear macacos, agora onde está a minha manta do Noddy?"
Se fosse bebé era tudo mais simples. Se fosse bebé era dono do meu mundo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Qual o sabor das nuvens?

A que achas que sabem as nuvens? Eu acho que sabem a ti. Tenho que ser sincero, nunca provei uma. Mas tenho a certeza que algo tão bonito como as nuvens só podem saber a algo igualmente bonito... oh André lá estás tu com esse teu lado cortês... ninguém gosta de um lamechas no seculo XXI. Talvez no tempo dos romanticos em que se morria de vergonha literalmente (ehm ehm... tuberculose... ehm ehm...).
Uma vez informaram me que as nuvens sabiam a algodão doce, o tal informador tinha 4 anos mas todos sabemos que quem vê melhor o mundo são as crianças.
Eu cá na minha mistura de criança com 1,80m e romântico digo que as nuvens sabem a algodão doce que, por sua vez, sabe a ti. E agora?! Nunca pensaste tu ser tão doce!
Isto é assim, acho que depois de tanto especular mereço provar. Deixas?
Eu cá nao sei se quero que me beijes nao vá eu apanhar diabetes. Va acho q só um cheirinho nao faz mal, é por propósitos cientificos, e um bocadinho pessoais, quem diz que a ciência do beijo não é divertida?
Assim acho que me vou formar nessa ciência, desde que sejas tu minha professora, pode ser?
Vá agora chega te aqui que tenho falta de açucar no sangue.

Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.