Se isto fosse um filme talvez eu agora me fosse embora com a capota do Ford Escort em baixo, óculos de sol, o cabelo a pingar gel, o "Born to be Wild" a dar na rádio e uma vontade de abandonar tudo...
Sentei-me no lugar do condutor e meti a chave na ignição. Está na altura de fazer a decisão, não há nada que me prenda aqui, tinha-te a ti, mas não sei se essa é razão suficiente para ficar.
Não é que eu não queira ficar contigo, quero, quero mesmo, mas não sei...
Um cabrão de um camionista apitou e distraiu-me dos meus pensamentos, nessa fração de segundo em que me distraí ia jurar que tive saudades de pensar em ti.
E quanto mais me lembro de ti mais me apetece pegar no carro e dar a volta...
Não sei se o faça, nem sei o que faça se fôr, talvez pegue em ti e te leve ao céu, alí no hall de entrada, talvez fale contigo primeiro, tenhamos uma discussão como nos filmes e depois reconciliamos no quarto, ou talvez nem me abras a porta...
Chego à conclusão que não me interessa, vou ter contigo, e vou matar as saudades desses lábios, matar a fome desse corpo e querer te como nunca te quis!
Meto a primeira e dou a volta, que tinha eu na cabeça?
Ir me embora sem me despedir?
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