quinta-feira, 5 de março de 2015

Eu vejo coragem
E coragem é saber
E saber é poder
E poder é querer
Querer é amar
Amar é dar
Dar é receber
Receber é sobrevalorizado
Sobrevalorizado é a vida
A vida sou eu
Eu sou tu
Tu és o que tu quiseres
O queres é o mundo
O Mundo é ordinário
Ordinária é a metáfora
A metáfora é inútil
Inútil é o poeta
Poeta é visionário
Visionário sou eu
Eu sou tu...

Boas adjetivos ficam
Infantis talvez
Apenas para quem as compreenderá









segunda-feira, 2 de março de 2015

I'll come around

(Era uma vez um ele, e uma ela. Desconhecidos um para o outro.
Independentes na sua vida, dependentes na vida do outro.
Sem suspeita ambos caminhavam para o momento que mudaria a sua vida,
Da forma mais bonita que a natureza pode oferecer:
 

      - Prazer em conhecer-te.


E nesse ele e nessa ela eles encontraram-se sem o saberem, e o amor começa ainda antes de começar.

   
      - Prazer em estar na tua companhia.


E ultimamente eles encontram-se nos lençóis porque é aí que se descobrem melhor, e se amam.
A cama partilhada é o maior desconhecido de todos mesmo quando é a nossa.

 
      - Foi um prazer estar contigo.


E um puto era o que faltava na sua vida conjunta e pseudo-independente.


     - E como lhe chamamos?
     - Sempre gostei de Bernardo.
     - Prazer em conhecer-te.


Mas o puto cresceu. "Sou um homem" - dizia ele.

Ao contrário do pai que toda a vida foi um jovem.

"Não olho para as rugas, prefiro olhar para a ausência delas" - repetia ele várias vezes.


Ninguém o sabia mas na verdade ele tinha ouvido esta frase na televisão.

Mas o puto foi se embora como todos os bons putos e como todos os homens.


     -  Foi um prazer ver-te crescer.


E a caricata relação dos nossos dois "eles" continuou. Até ao dia em que não podia mais continuar.
"Até que a morte nos separe" - disseram eles um dia. Que ingénuo da parte da morte achar que pode separar um amor assim. "Deus escreve direito por linhas tortas, mas não é mais torto que eu".

E ela chegou, eventualmente, para ambos, ele antes dela, e no seu último suspiro ele disse:


     - Foi um prazer conhecer-te.)




E ambos acordaram ao som do despertador, cada um na sua cama, separados por duas famílias distintas mas sempre desejando-se mutuamente. E continuaram desconhecidos e pseudo-independentes. Sempre acompanhados e sempre sozinhos, nunca verdadeiramente satisfeitos.

Mas felizes, sem nunca terem conhecido a felicidade.
Mas ela anda aí, à distância de um:



     - É um prazer conhecer-te...
















sábado, 28 de fevereiro de 2015

I don't wanna know

Sabes que sempre me considerei um poeta. Não porque escreva poesia mas porque penso como um.
Um sentimentalista, romântico por excelência, lamechas (até porque estes 3 adjetivos são quase sinónimos).
Mas apesar disso (e ao contrário de ti) eu não vivo em verso, em frases pequenas e individuais.
Até porque o poeta é isso mesmo: um cabrão que não se esquece, que não anda em frente e cada um dos seus poemas tem um toque dos anteriores. .
E como uma peça de música atonal ou um quadro de Picasso o poema não se percebe assim à primeira ainda para mais quando é sobre ti.

Porque eu podia escrever a vida inteira sobre as curvas do teu corpo e o prazer obsceno e culpado, e talvez até seja isso que faço.
E a literatura são eles.
Tu e eu não, não somos poesia mas podemos muito bem ser arte.
A única arte que sei fazer.
O poeta muda tanto o poema como o poema o muda a ele.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Não preciso de céu.

O céu é uma ilusão.
Criada por aqueles que tem medo de viver e
esperam pela hora da morte.
Porque esperar pelo céu, quando este se encontra na Terra?
E todos nós conhecemos o céu.
O céu está nos braços daqueles que nos abraçam muito antes de morrermos.
E isso é um céu melhor que qualquer jardim divino ou pátio celestial, para o qual vou ter que esperar para chegar...
Prefiro o céu na Terra, ao qual tenho a certeza que vou chegar, em que o contacto é real, a intimidade é verdadeira, e não há nuvens nem anjos nem Deus.
Apenas eu e quem eu quiser
E aí está o céu...

num simples abraço e em 2 pessoas...





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

De: Mim

Para: O primeiro dos meus problemas


Ola! Lembras-te de mim? Aquele puto que nem beijar sabia (não que tenha ficado muito melhor a fazê-lo)?
Duvido...
Mas pronto passados 3 anos cá estou a chatear te a cabeça outra vez.
Só vim para te dizer que encontrei a tela que me deste nos anos, apesar de simples era linda.
Pensei em queima-la quando te foste embora,  mas atirei-a para um armário e lá ficou... tão perdida quanto o meu amor por ti na altura.
Éramos ingénuos, tudo o que tínhamos por mais estranho, novo e inocente que fosse, parecia que ia durar para sempre.


Porra, ainda bem que não durou.




Mas foste a primeira e, na altura, a única.
Custou-me tanto quando te foste, mas ainda bem que foste, sou muito mais feliz agora...

Se o meu mundo girou à volta de alguém foi porque tu o poste a girar...

... e por isso te agradeço...

... e por isso te esqueci...










sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je suis Charlie

Assim que vi nas noticias soube que tinha que escrever sobre este assunto. A humanidade está cada vez mais estranha, se havia alguma coisa que tomávamos como garantido era a liberdade de expressão. Esse princípio que dizia que cada um pode dizer e criticar o que quiser sem ser repudiado ou perseguido por isso.
Há uma passagem no Corão que diz:














Então expliquem-me qual foi o objetivo desta tragédia? Matar a Charlie Hebdo? Acabar com a liberdade de expressão? Enviar uma mensagem?
Charlie Hebdo é mais que um jornal com imagens engraçadas, Charlie é um ideal, e os ideais não morrem e aquele atentado é a prova disso...
Um ideal de "liberté", são eles os primeiros a criticar aquilo que consideram errado e a expressar a sua opinião na sua forma mais discreta: a sátira.
Mas depois do ataque Charlie tornou-se ainda mais que isso, depois do ataque Charlie passou a personificar todos os humoristas, jornalistas, repórteres, escritores e todos aqueles que usam a sua liberdade de expressão.
Os ideais não morrem e alguém há de tomar o testemunho, porque a humanidade tem muitos problemas mas fico orgulhoso de ser parte de uma humanidade que está a apoiar e se esforça em não deixar Charlie Hebdo cair no anonimato.

3 homens pintaram aquele dia de vermelho e preto para tentar enviar uma mensagem.


E a humanidade respondeu à medida...


... Je suis Charlie...


... Tu es Charlie...


...Tout le monde est Charlie...


... Et nous sommes libres...


















quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

- Não sei... - Detalhes meu amigo, detalhes...


Nunca soube...

Tanta coisa... que eu não sei.

Não sei a beleza da aurora boreal. Não sei se o mundo acaba amanhã, ou até hoje. Não sei se o mundo é justo. Não sei o que Deus exige ou se Ele existe. Não sei se posso cumprir tudo o que prometi. Não sei quem será (ou quem foi) o amor da minha vida. Não sei o quão frágil sou ou qual é o ponto de ruptura. Não se já caí o suficiente ou se vou ter que cair mais. Não sei se alguma vez fui amado por alguém. Não sei se vou ver o nascer do sol amanhã. Não sei se te olhe nos olhos para não me ver refletido neles. Não sei a cor da tua roupa interior. Não sei se acabarei sozinho. Não sei se pinte a vida em tons de azul ou cinzento. Não sei se deixe alguém pintá-la comigo. Não sei o que é sexo. Não sei continuar em frente. Não sei ficar parado. Não sei o que é o amanhã. Não sei se escrevo alguma coisa de jeito...

Mas isto são tudo pontas a limar, pois é aí que se encontra a beleza da vida...

... é no desconhecido...


... e nos detalhes...





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.