(Era uma vez um ele, e uma ela. Desconhecidos um para o outro.
Independentes na sua vida, dependentes na vida do outro.
Sem suspeita ambos caminhavam para o momento que mudaria a sua vida,
Da forma mais bonita que a natureza pode oferecer:
- Prazer em conhecer-te.
E nesse ele e nessa ela eles encontraram-se sem o saberem, e o amor começa ainda antes de começar.
- Prazer em estar na tua companhia.
E ultimamente eles encontram-se nos lençóis porque é aí que se descobrem melhor, e se amam.
A cama partilhada é o maior desconhecido de todos mesmo quando é a nossa.
- Foi um prazer estar contigo.
E um puto era o que faltava na sua vida conjunta e pseudo-independente.
- E como lhe chamamos?
- Sempre gostei de Bernardo.
- Prazer em conhecer-te.
Mas o puto cresceu. "Sou um homem" - dizia ele.
Ao contrário do pai que toda a vida foi um jovem.
"Não olho para as rugas, prefiro olhar para a ausência delas" - repetia ele várias vezes.
Ninguém o sabia mas na verdade ele tinha ouvido esta frase na televisão.
Mas o puto foi se embora como todos os bons putos e como todos os homens.
- Foi um prazer ver-te crescer.
E a caricata relação dos nossos dois "eles" continuou. Até ao dia em que não podia mais continuar.
"Até que a morte nos separe" - disseram eles um dia. Que ingénuo da parte da morte achar que pode separar um amor assim. "Deus escreve direito por linhas tortas, mas não é mais torto que eu".
E ela chegou, eventualmente, para ambos, ele antes dela, e no seu último suspiro ele disse:
- Foi um prazer conhecer-te.)
E ambos acordaram ao som do despertador, cada um na sua cama, separados por duas famílias distintas mas sempre desejando-se mutuamente. E continuaram desconhecidos e pseudo-independentes. Sempre acompanhados e sempre sozinhos, nunca verdadeiramente satisfeitos.
Mas felizes, sem nunca terem conhecido a felicidade.
Mas ela anda aí, à distância de um:
- É um prazer conhecer-te...