terça-feira, 17 de novembro de 2015

Keep your head up...


As vezes é só o que é preciso. Ser orgulhoso por uma vez, abdicar da humildade que tanto me caracteriza e dizer: "eu sou mais importante".
Eu tentei abraçar a escuridão, mas é impossível respirar submerso. Eu já não sou eu. Eu não sou ninguém. Eu sou toda a gente.
Sou tu, que me marcaste de alguma forma na minha insignificante existência. Ou tu, que me disseste a palavra certa na altura certa. Eu nem sequer sou o mesmo "eu" que era ontem.

Keep your heart strong...

E as cicatrizes que vêm com o ser? Essas ficam. São marcas de guerra. Marcas de um mártir. Um mártir na batalha da vida. 100% das pessoas que vivem, morrem (conclusão do século...).
E passo o tempo a observar, e a observar me, deixo me levar pelo aborrecimento diário e rotineiro da procura pessoal de adolescente, borbulhento, triste e convicto que é um Homem feito.
E passo o tempo a esperar que a força da maré me faça um Homem.

Keep your mind set...

Enquanto espero, vivo. Convivo. Amo. Odeio. Faço o que quiser fazer. Vou até onde quiser. Faço amor com os meus sentidos. Conheço me. Conheço os outros. Conheço quem quero conhecer.
Sou um puto que quer o mundo antes de ser um homem. Que mal tem isso? Posso sonhar? Sonho tanto. Ja dizia António Gedeão: "o sonho comanda a vida". Neste mundo já não cabem todos os meus sonhos. Os sonhos que me fazem, e desfazem. Se nós aceitarmos qualquer coisa abaixo do sonho, de que serve sonhar?


... and your hair long





sábado, 14 de novembro de 2015

Fado da mulher apaixonada

Eras o meu homem. Sim, meu. Com todas as letras? M. E. U...
É tão bom quando podemos chamar algo de nosso. Especialmente quando esse algo tem voz grossa e beija tão bem.
Sabes porque é tão dificil deixar te ir?
Porque eras o meu melhor amigo. Antes de qualquer outra coisa. Antes de amante, antes de confidente, antes de seres o meu mundo, eras o meu melhor amigo.
Desempenhaste o papel na perfeição, nisso não me queixo.
Mas explica-me qual foi o momento em que deixaste de me conhecer? Qual foi o momento em que me tornei apenas mais uma cara no cenário da tua vida? Um grão de areia? Uma... sei lá...
Custa-me olhar-te e que não me olhes de volta, custa-me ouvir te falar na tua namorada (ainda bem que estás feliz, mas eu tenho o direito a queixar-me).
Mas que podiamos nós ter feito? Podiamos ter fugido à lá Lolita. Imagino-me de flor na orelha e vestido sensual e tu ao volante a esforçar-te por fazer a difícil decisão de dividir o olhar entre mim e a estrada. Para onde? Não sei, a resposta clássica seria: "para onde o vento nos levar." Mas eu iria contigo até onde tu quisesses.
A parte mais gira? Estragamos tudo numa noite.
Estavamos tão atraídos, eu amava-te, e o meu instinto de mulher sabia o que queria. Queria-te a ti. Era a verdade nua e dura. Tal como te queria a ti.
Eramos lâminas nos pulsos. Se estavamos longe queriamo-nos e magoávamo-nos, se estavamos perto tinhamos medo.
Estavamos a oceanos de distância, mesmo que estivessemos abraçados. Talvez tu fosses isso mesmo. Um oceano. Grande, vasto, misterioso e bonito. E eu uma pedra no fundo desse oceano. As tuas marés moviam me, e eu seguia-te para todo o lado. E estavamos vivos, estavamos em sintonia, estavamos alí...
E se estivemos... estive como nunca estive. Estive com quem queria estar. Estive como queria estar. E estive tão bem.
Admite que fomos felizes. Fomos felizes nas noites que nos separaram, que por coincidência foram aquelas que nos juntaram. Fomos felizes no constrangimento e na culpa, no facto de sabermos que tinhamos medo com razão, que apesar dos batimentos sincronizados e das promessas de espera por medo da solidão, do facto de querermos estar alí e acima de tudo de estarmos apaixonados, loucamente, no amor mais piroso e lamechas que a humanidade ja viu (qual Romeo e Julieta ou Bonnie e Clyde?), o coração que nos juntou debaixo das velhas estrelas é o mesmo que nos impede de lá ficar, não podemos por gostarmos demais um do outro.
Nem 8 nem 80. É o amor perfeito, das duas uma, ou nos amamos demais ou não nos amamos de todo.
E seguimos cada um a nossa estrada, a tua ornamentada com grãos de café, borrões de tinta e conchas e a minha com a memória do teu sorriso de todas as noites que passaste comigo.




"La la la la la la la la lovely as you are my dear"


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Chora comigo, e eu chorarei contigo.

Chora comigo e eu juro que dar-te-ei o meu ombro e chorarei também. Depois chorarei por ti e levantar-te-ei.
Sorri e eu vou sorrir contigo. Fala e eu vou ouvir, com todas as palavras, chateia-me com o que te apoquenta e eu nunca me fartarei. Pede-me e eu nunca te deixarei sozinho, ou não me peças e abraça-me logo. 

Não sou Deus, nem finjo que sou, não posso resolver os teus problemas. Posso enfrentá-los contigo. Vamos em frente! Não há muro que nos pare, nem vento que nos derrube.
O mundo é um pátio e nós fazemos dele o nosso recreio.

É bonito, é nosso. É grande e cheio de coisas,
E num mundo tão grande, quão pequenos parecem os teus problemas?

Sofres agora com eles, e sofrerás sempre, sofrer é sinal de vida.
O maior problema das pessoas que sofrem é achar que podem fazer tudo sozinhas.
E o maior problema das pessoas que não sofrem é talvez não terem vivido o suficiente.


domingo, 20 de setembro de 2015

Particulas

A primeira lei da termodinâmica diz (aqui explicado de uma forma MUITO simples) que "a energia não se cria, nem se destroi, apenas se transforma".
Tudo no universo é composto por particulas, partículas essas que são compostas por matéria que por sua vez é, em parte, energia. Eu sendo um homem das humanidades esta não é a minha "praia". Ou seja este é o "grosso" da questão e está muito incompleto e por mais que eu tente pesquisar em dicionários, enciclopédias e livros de "física para idiotas", nunca irei perceber a questão verdadeiramente.
Mas eis uma parte que eu percebi. Eu, o leitor, o seu animal de estimação e o pássaro na rua ja foram, e vão ser, muito mais do que são.
As partículas que me compõem podem ter estado num dentes-de-sabre, na idade do gelo; numa bruxa queimada na idade média ou até na explosão da bomba atómica, poderão até vir a estar numa supernova.
A unicidade do Homem do ponto de vista cientifico é incrível. Em muitos aspectos os seres humanos são iguais até a um nível molecular, mas é impossível encontrar duas pessoas com impressões digitais iguais.
Mas quem se lembrará de um conjunto de partículas?
Aí entra a minha área, as letras, a história. A história grava os mais memoráveis conjuntos de partículas na eternidade.
A história dá a oportunidade de assegurar que a única vez que aquelas partículas se juntam daquela forma não é esquecida.
Mas é uma oportunidade, alguma vez ouviu falar no Joaquim Filipe que morava nos Olivais e morreu de cirrose? Eu também não. Mas nomes como Picasso, Einstein e Beethoven são reconheciveis até à mais ingénua mente.
As páginas da história e o tempo não esperam por ninguém.
E todos queremos o nosso lugar nos livros.

A ciência dá nos nomes: partículas, átomos, energia. A história grava nos no mundo.
Os Homens não são mais feitos de partículas do que são de memórias.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Leave me out with the waste. This is not what I do.

Hoje escrevo. Porque calha. Porque me apetece.
 O engraçado é que o tema é sempre o mesmo. Esteja eu feliz ou triste, cansado ou energético, bêbedo ou sóbrio. O quanto te amo e o quanto te quero e as saudades que tenho tuas e blá blá blá...
Consigo escrever um texto sobre ti com 28 páginas sobre o quão única és e mais umas quantas sobre o resto de ti. Mas tu não o irias ler. Estás tão cansada de ler sobre ti...
Aposto que ser o centro do mundo de alguém é cansativo.
Existem cerca de 7 biliões de pessoas na Terra e aposto que nenhuma me faz atrapalhar tanto a falar como tu. Eu acho que as palavras quando saem da minha boca tem todas pressa de te ver e acabam por tropeçar umas nas outras.
Ora ca estou eu a elogiar te, eu às vezes quero por te defeitos. Tens tantos, mas fico tão distraído no resto que os defeitos passam me ao lado.
Ficamos cegos quando mais precisamos de ver, e quão bonito é isso?
Mas contigo tem que se ser sombrio, escuro o suficiente para ver a tua luz.
Nunca soube se te levava à loucura? Ou libertava-te simplesmente?
Tudo o que alguma vez precisamos foi um colchão onde deitar a nossa desgraça.
Quantos textos já foram escritos sobre ti? Os suficientes? Não chegam para dizer tudo...


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Yin-yang

Ele vive do lado direito da rua quando se desce e dorme numa cama de mogno.
Ela vive numa casa na árvore e dorme numa gaiola dourada sem porta.

Ela quer mudar o mundo com arte, pensa em Banksy e pensa em alternativo. Faz yoga ao som de Linda Martini. O barulho acalma-a.
Ele acha que a música vai mudar a sua vida e quer ser independente. Vai à loucura ao som de Damien Rice. A calma excita-o.

De dia ela é uma criança e ele um homem.
De noite ele é uma criança e ela uma mulher.

Ele aquece se com um cobertor de lã.
Ela aquece se com pele de lobo.

Ele tem tantas guitarras quanto ela tem desenhos.
Ela tem tantos desejos como ele vontade de os concretizar.

Ele chora no Forrest Gump.
Ela chora no À Procura de Nemo.

O jardim dele cresce cactos.
O dela cresce as rosas mais bonitas.

Ele veste se de preto e é discreto.
Ela veste se de branco e parece um anjo enquanto o seu sorriso encandeia a sala.

Ele é tímido e atrapalha se a falar.
Ela de hoje para amanhã arranja uma tatuagem nova, um novo piercing e um amante.

Ele quer ver o mundo.
Ela quer ver o mundo.

Ela sonha ser feliz.
Ele sonha com ela.






terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ouves a música?

Sempre achei que os discos tinham a solução para todos os problemas da vida, principalmente os relacionados com relacionamentos.
Dei por mim a procurar respostas muitas vezes neles.
Começo nos Pink Floyd, passo pelos Supertramp, o James Bay e até os Iron Maiden. O Bob Marley diz que vai ficar tudo bem e pergunta-se se é amor que acontece na sua cama de solteiro, os Rolling Stones não se satisfazem, o David Bowie continua a procura do Major Tom e o Bryan Adams lembra-se de uma posição sexual que não é a solução que procuro mas junta-lhe uma pitada de "Grease" e poderá muito bem ser "The One That I Want".
Percebo que não achei solução nenhuma, que todos os sentimentos, emoções e experiências que aqueles artistas passaram a vida a documentar, a aperfeiçoar e a harmonizar, serviram talvez para que o ouvinte se relacione e não se sinta sozinho mas ao mesmo tempo se sinta único. Mas não para resolver problemas, de raiz amorosa ou outra qualquer, a música poderá ser um meio, mas não um fim.
Estarei a procurar nos sitios errados? Talvez, a solução dos meus problemas até pode estar num objeto circular de policloreto de polivinila.
Se está, ou onde está, não sei. Os positivistas e gurus dizem que está em nós próprios, os altruístas dizem que está nos outros, os românticos dizem que está "nela/nele".
Eu digo que não sei, mas hei de descobrir. E quando o fizer vou assegurar me que tu, que estás a ler isto és dos primeiros a saber, combinado?

"E aqueles que foram vistos a dançar, foram julgados como loucos, por aqueles que não conseguiam ouvir a música" - Friedrich Nietzche



 
Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.