sábado, 10 de setembro de 2016

Tilia, trevo e betão

A modes que hoje tive a certeza que a minha vida vai mudar. Vejo toda a gente feliz à minha volta, e não me levem a mal eu também estou a rebentar de felicidade pela mudança... mas bem... estou e não estou.
Sempre adorei mudança em tudo o que pudesse mudar, mas tenho que admitir que não consigo deixar de sentir aquele frio na barriga e aquela estranheza na previsão do que vai acontecer.

Vou para a cidade

Sou um rapaz do campo, cresci entre galinhas e perus ("píruns" se vierem donde venho). Subi às árvores e esfolei os joelhos a jogar à bola num campo que só podia ser equiparado a um campo de batatas. Aprendi os animais e as plantas que havia no quintal da minha avó (apesar de até à pouco tempo não ser capaz de distinguir salsa e hortelã... hei sou do campo, mas não era o cozinheiro...). Descobria atalhos até casa pelos quintais dos vizinhos, distingo o pombo da rola e o melro da cotovia, tomava banho nos tanques, tive um grilo de estimação, incomodava o bicho-da-conta só para o ver enrolar-se, acho que "aventar" é uma das palavras mais bonitas do mundo, e enquanto escrevo esta frase o galo do meu vizinho anuncia a madrugada a quem o ouvir.





Agora vou ter uma volta de 180º








Vou para a cidade grande, trocar os galos pelas buzinas, o silêncio pelo caos, as árvores pelos arranha-céus, as açordas pelas refeições rápidas e os atalhos dos quintais pelos horários do comboio.

Trocar este sossego pelo escabeche da cidade

A cidade é tão grande, e eu tão pequeno...

Mas talvez isso funcione a meu favor. Ser pequeno, pequeno como o grilo na minha gaiola. Nunca lhe dei um nome. Talvez eu na cidade possa ser mesmo isso, sem nome. Desconhecido, incógnito, um. Posso aprender a ser, sem ser. A existir, numa existência passiva-agressiva, em que me atiro de cabeça ao mundo, mas sem ser mais do que o que sou.

Talvez um dia a cidade me engula. Ande arredio. Talvez quando voltar ao campo já não conheça o alecrim. Talvez me torne cidadão.

Mas como dizemos aqui no meu belo Alentejo "tenho que m'àguentar com esta moenga"

Tenho medo de me afogar na confusão, sim estou assustado.

Mas vou fazer o melhor que faço sempre, sorrir à mudança...

E adaptar-me. Porra.





sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Calma da Loucura



Vou escapando. Escapando da mente aos poucos. Mas já chego a essa parte.
Agora tenho a dizer que é desta. É desta que eu enlouqueço de vez.
O mundo desliza aos poucos lá fora, e eu escapo aos poucos cá dentro.
A capa do meu CD preferido está meio partida por causa do uso.
A música é um atrofiado de cordas e violinos e palavras sem sentido.         
                                                                                                             

                                                                                "fuckify everything"


 Os quadros e desenhos do meu quarto dizem me mais que as fotografias emolduradas.
As guitarras estão afinadas em afinações atonais.
As minhas notas estão em todo o lado. Durmo com o bloco debaixo da almofada.
Nunca se sabe o que vai aparecer em sonhos. 


Spoiler Alert: és sempre TU



Todo o processo de fugir da mente tem repercussões. Especialmente na imagem. Mudanças drásticas, no penteado, na roupa. Nota-se na sede de contacto e na sede de fazer. Fazer coisas. Todo o tipo de coisas que possa exteriorizar a fuga do que está cá dentro.





A mente precisa de escapar. Para longe, dentro de si própria.
Para o fundo de si própria. Escapar para as coisas sem sentido,
para as coisas que não necessitem muito trabalho da mente:

Falo do escapismo para a escrita, para os sonhos, para a tinta, para a música, para o amor e para tudo o que faz a mente deixar de funcionar. E faz trabalhar o coração.


E l e S  c H a M a M - l H e  A r T e . . . eu chamo-lhe fuga





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bloqueio

Tenho o meu computador ligado à minha frente na secretária e de fundo dá a música que escolhi para me "inspirar". Está quase tudo pronto. Tenho a temperatura adequada e tenho a certeza que ninguém me vai chatear.
Está tudo pronto para uma sessão de escrita. Se calhar é hoje! Se calhar é hoje que escrevo o meu magnum opus!
Tenho a cabeça a mil. Não escrevo nada de jeito à tanto tempo. Hoje vou fazer uma coisa de que fique mesmo orgulhoso.

É agora. Vamos a isto.

Sento-me e... nada...

Absolutamente nada!!!


Nada! Nem uma frase, um conceito, um inicio. Zero, bola!
Que frustrante!
É como tentar ganhar um concurso de pintar o quadro mais colorido, mas só ter tinta branca...

Então tento brincar com as palavras como se fossem comida num prato e eu sem fome. Criar frases articuladas, mas quanto mais escrevo menos sentido me faz.
Olho à minha volta à procura de ideias mas as coisas são só coisas. Não tem segundos significados nem várias camadas de innuendos. São pura e simplesmente coisas, tem a sua forma apenas e são uniformemente sem cor.

BAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Apetece-me gritar as paredes sem cor. É frustrante ter milhões de coisas presas dentro de ti à espera de sair, mas não ter maneira de as deitar cá para fora.

Podia deitar as coisas cá para fora simplesmente... dizer diretamente as coisas sem ter que se ler nas entrelinhas. Referir as coisas pelo nome, visto que as coisas no fundo são só coisas. Isso seria muito mais fácil.

Mas assim seria aborrecido. As pessoas gostam de desafios. Especialmente quem os cria para si próprios como eu que estou em frente ao computador a espera que algo se escreva por milagre ou "obra e graça do Espírito Santo".

Então escrevo, não escrevendo tudo aquilo em que pensei escrever. Escrevi no entanto, sobre o facto de querer escrever mas não conseguir escrever tudo aquilo que quis escrever.
Escrevi portanto sobre escrever.





quarta-feira, 27 de julho de 2016

Estrelas metafóricas e devaneios madrugadores

Uma coisa que vos posso contar sobre mim é que adoro as estrelas, mas tenho um amor especial à estrela polar. Não passa uma noite que eu não olhe para ela e não a admire, lá no alto, num sitio tão alto onde eu nunca chegarei. Eu olho-a à distância e o brilho que dela vêm mantém me orientado, mantém o meu caminho certo e seguro. "A minha direção é aquela estrela" - penso eu para com os meus botões.


É sem dúvida a estrela mais bonita que há no céu, apesar de nem sempre ser a mais brilhante.
Sei que consigo encontra la sempre que me perca, passei muito tempo a descobri la na noite para a saber encontrar em todas as situações, sem importar o quão escura ela esteja.

Mas cá está, é uma estrela. O que é um simples ser humano comparado a um corpo celeste? O que sou eu que apenas a admiro à distância contra um ser estelar com um brilho próprio e contagiante?

Sempre fui ambicioso, sempre quis o céu e os astros.
Talvez um dia me torne astronauta. E consiga conquistar a estrela.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Wanderlust

O sitio onde escrevo (que por acaso também é o sitio onde durmo), parece um forno nestas noites de verão.
Está um calor insuportável aqui, juro. Eu estou deitado em cima da cama, sozinho e a derreter e imagino todos os sitios onde queria estar agora (spoiler alert: nenhum deles é a rua da estação).
Com alguém nos meus braços, ou nos braços de alguém, bem longe.

Imagino-me em cima do capot de um carro, no meio do nada, com uma música qualquer, numa rádio qualquer, nesta noite, ou numa como esta, a ensinar constelações e a contar histórias da treta sobre as estrelas.

"Sabes a história de Altair e Vega?"

Ou então numa praia qualquer do mundo, daquelas que se vêem nos postais e nos filmes. Areia da cor do pôr do sol e água limpida como nós. Com um mojito numa mão, daqueles com uma sombrinha e uma palhinha que dá 30 voltas ao copo, a fazer um brinde à vida.

"A nós, à vida, e que ela nunca mude."

Ou até num quarto de um hotel ranhoso, no fim do mundo. Com uma tempestade dos diabos na rua. Numa cama de paletes e um colchão. A fazer planos para o futuro entre trovões e relâmpagos.

"Se me aqueceres neste frio, eu protejo-te dos trovões. Pode ser?"



Vamos embora. Estou em casa sozinho e está um calor dos diabos.




















domingo, 3 de julho de 2016

Até a lua

Deve haver coisas que odeio em ti... certo?

Odeio saber que choras, odeio saber que as lágrimas te caem e eu nada posso fazer. Sinto-me inútil, impotente, desnecessário, supérfluo.
odeio que chores, pessoas como tu não deviam poder chorar, devia ser ilegal. Pessoas amadas não deviam chorar.
Odeio a forma como não vens ter comigo quando queres chorar.
Odeio saber que tens defeitos e que um deles é chorar como uma criança. Defeitos vários que variam entre mudanças repentinas de orgulho e a pouca noção de uns ombros largos que pensam ter o peso do mundo neles.
Talvez odeie tudo aquilo que dizes e não me diz respeito? Odiar tudo aquilo que dás a outra pessoa que não eu?  A forma como andas? A forma como danças? A forma com que me fazes desejar-te às paredes? A forma como não vens quando te chamo? A forma das minhas lágrimas para ti?

Odiar as minhas palavras para ti.

Odiar o amor
Odiar o que me faz sentir
Odiar- te a ti por me fazeres sentir amor
Odiar- te a ti por me fazeres feliz

Odiar tudo

O amor é um filho da puta.

E eu talvez deva odiar-me
E eu talvez deva odiar-te

Mas não...


Já sei o que odeio...

Odeio o facto de não te odiar nem um bocadinho.

E odeio que o ódio seja o sentimento mais próximo do amor.




E é isto

"E no momento em que acabou, eles aperceberam-se que tinham vivido algo de especial"
Estas são as únicas palavras que me passam pela cabeça ao escrever isto. Estou sentado num sofá e os meus companheiros já dormem todos, sim companheiros, é exatamente a palavra que procurava. Eles dormem porque amanhã é mais um dia de festa (se bem que com este pessoal, todos os dias são de festa) e eu sento-me a escrever.
Porquê? Porque esta semana descobri algumas coisas muito interessantes: descobri que aquele clichê que diz "os amigos são a familia que se escolhe", é verdade. E descobri de que material a maior parte da vida é feita.

A vida meus caros, é feita de pirâmides de mini e garrafas de moscatel, de shots pagos pelo dono do bar, de caipirinhas feitas sem saber ou então cachaça com açucar. De caminhadas de 4 km até à praia e escaldões de Joni Lagostim, de ficar a saber os hits todos de cor porque a Comercial e a RFM passam as mesmas músicas 500x por dia à vez. De celebrar a pátria como se não houvesse amanhã, dizer mal do Renato Sanchez até ele marcar golo, ser treinador de bancada durante os jogos da seleção, celebrar quando o ciganão entra em campo e quase sofrer uma trombose quando o jogo vai a penalties.

A vida está entre bares de reggae e bares da praia, entre fotoshoots e sestas na areia, entre o "Isso Bar" e o mini-bar. A vida está na promessa de bater a Liga Knockout e de regressar.

E acima de tudo, a vida está neles, aqueles que agora dormem e tornam todos os dias numa aventura.

Obrigado companheiros.









Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.