segunda-feira, 28 de março de 2016

Jesus devia ter entrado em coma alcoólico

Às vezes gostava de me atirar de uma janela e não morrer. Atirar me e bater nas pedras da calçada. Com força. Bater e não morrer, apenas sentir a adrenalina da velocidade terminal e o impacto da primeira lei de Newton.
Depois levantava me e ia à minha vida.



O que se faz quando não se sabe o que fazer?
Talvez beber, apanhar uma bebedeira tão grande como a que Jesus devia ter apanhado na ultima ceia (se ele sabia que ia ser preso a seguir ao jantar e havia vinho na mesa porque não aproveitou? Ele até sabia transformar agua em vinho) talvez experimentar daquelas coisas que alucinam, talvez foder daquelas pessoas que não nos dizem nada, ou talvez dormir e sonhar com todos os "talvez" aqui referidos.
Talvez seguir um caminho diferente ao desejado na esperança de um dia encontrar um atalho.


O que se diz quando não se sabe o que dizer?
Quando se ouvem palavras de amor vindas do fundo de um poço. Quando o silêncio sussurra à solidão as palavras mais bonitas que ouves. A resposta é nula, manchada de sangue e pontos de interrogação. Cai se de joelhos e cai se bem, como o cair de um miúdo a jogar à bola. Esfola se os joelhos mas continua se porque tem que se ganhar o jogo, pelo bem da equipa.

Ophelia, you've been on my mind like a drug...




domingo, 14 de fevereiro de 2016

Obrigado meus artistas!

Poucos textos me foram tão difíceis escrever como este.

Mais um ano e mais uma gala. Pensariam que o hábito já os teria imunizado da pressão de palco. Mas a vontade de fazer mais e melhor torna-os autênticas canas ao vento. A ansiedade de entrar em palco para despachar a coisa só lhes dá vontade de esmurrar toda a gente.
Ouvem se as pessoas chegar e o burburinho por detrás da cortina, elas querem um espetáculo, eles querem dar-lhes O espetáculo.
Por trás da cortina todo um conjunto de pessoas faz uma oração. "Merda! Merda! Merda!" - acaba assim a oração, dizem que tráz boa sorte aos artistas, quem diria que até ao final da noite se iria repetir esta palavra mais umas tantas vezes.
No fundo aquele conjunto de pessoas, não são só artistas, são amigos, mas são também aquela palavra que usamos quando nos queremos referir a pessoas que nos são tão queridas que nem sabemos o que lhe chamar: família.
Quem diria que um conjunto de personalidades diferentes, fortes, enormes e talentosas se iria juntar para formar um espetáculo que iria marcar a vida de cada um, possivelmente até ao final desta.
Estes ultimos dois parágrafos juntamente com "Foda-se vai começar!" deve ter sido o que passou na mente de cada um daqueles jovens antes da cortina se levantar. O nervosismo tomava conta de nós.
Então e quando a cortina se levantou?
Aí é que eles se revelaram, abriram o coração ao público e não hesitaram. Deram tudo o que tinham no corpo e ainda mais.
Dançaram com corpo e alma, ao som da Beyonce, dos Walk The Moon, da Sia, dos Oh Wonder, da Adele e das Weather Girls. Abriram os seus corações ao som da Amália, do John Mayer, do João Villaret, da Edith Piaf e da Sara Tavares.
O palco era o mundo sem ninguem se não nós. O trabalho de um artista é tão recompensador. Estar alí e fazer o que se gosta, com ou sem risos, com ou sem choros, com ou sem aplausos. Ser nós. E só nós.
Os dedos nas guitarras, as bocas nos microfones, os joelhos no chão. São as melhores sensações partilhadas com as melhores pessoas. E as melhores pessoas não são o publico, oh não...
São eles, aqueles que assistiram ao trabalho que se colocou em cada detalhe, aqueles que se apoiaram mutuamente em todas as alturas.
E não haveria melhores pessoas para partilhar os aplausos. O culminar de tantos meses de trabalho.
"Não é o objetivo o que interessa mais, mas sim o caminho percorrido até lá chegar", e posso dizer que apesar de o objetivo final não poder ter corrido melhor, o caminho percorrido foi o melhor graças a este pessoal.

Obrigado e vos garanto que o caminho conjunto de cada um não acabou aqui, eles irão voltar a cruzar-se.









segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Clichês

O autocarro está parado no meio da rua por causa de um carro mal-estacionado.
O John Mayer faz um cover de "Bold as Love" de Jimi Hendrix ao meu ouvido. Por entre "bends", "hammer-ons", "pull-offs" e "blue notes". Ele para. Faz um discurso. Diz que precisa de amor. Oh John não precisamos todos? E acima de tudo, todos queremos. Queremos tanto que já é clichê.
Eu gosto de clichês. Clichês são clássicos. Jantares à luz das velas e beijos à chuva são clichês. O amor está tão batido que o próprio amor já é clichê.
Clichê é ligar a meio da noite para dizer "amo-te" ou para ter uma conversa porca. Clichê é por um cadeado num ponte. Clichê é escrever textos sobre amor. Paris é clichê.
E que bom que é ser clichê. O amor mede-se tanto pela destreza com que se desaperta o botão de uma camisa como pela quantidade de frases feitas, pirosas e sentidas que se dizem. Amor acontece quando somos o que impede alguém de precisar de mais.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

3, 2, 1... Descolagem...

Sempre escrevi tanto por necessidade como por capricho. E sempre escrevi sobre o que queria escrever.
Sobre mim, sobre ela, sobre o mundo, sobre o meu medo irracional de não ser um floco de neve mas ser apenas um "qualquer coisa", como tantos outros "quaisquer coisas" no mundo.
Mas sou um "Major Tom" (para citar o grande Bowie), que tanto se perde nos seus pensamentos e esperanças que acaba por se alienar do mundo. Eu perco me mais na minha mente que nos olhos dela.
Penso a mais de 200 000 km/h sem sair do lugar. Podia fazer da estratosfera casa. Flutuar no infinito, entre o brilho estranho das estrelas e os corpos celestiais. Mas serei sincero, vou preferir sempre os corpos terrestres...

*Terra chama André*

Ah sim, lá estava eu... perdido no universo sem sair da cadeira. Tenho universos dentro de mim. Sou tão grande e sou tanta coisa, sou explorador do irreal e imaginário. Sou páginas de livros por escrever e filmes por fazer. Sou fotografias futuras e melodias atonais. Sou tanta coisa.

*Consegues ouvir?*

Amanhã vou acordar e ser. Apenas ser. Vou viver todas as minhas emoções, vou amar até não poder mais. Amar é estar na estratosfera. Amanhã sou astronauta das sensações. Amanhã voo em direção às estrelas e amo-as. Amanhã não sou Major Tom para me alienar do mundo, amanhã sou um mundo.


*Preparar para aterrar... 5, 4, 3, 2, 1...*



sábado, 9 de janeiro de 2016

Eat, sleep, complain, repeat

As vezes só é preciso mudar. Sentir o peso da mudança. Por mais pequena que seja. A vida é melhor se tiver mudanças. Não. A vida é feita de mudanças. As mudanças fazem a vida valer a pena, mesmo quando só aparecem de tempo a tempo.
Adoro falar da monotonia da vida porque é um tema que me diz tanto. À 8 anos que me levanto às sete e meia da manhã, em dias de semana, almoço ao meio dia, lancho às cinco, janto às oito e durmo às onze. Como posso dizer que o amanhã é um mistério quando posso dizer o que vai acontecer amanhã, ao minuto.
É aborrecido repetir coisas como uma máquina industrial...

Brrrrrr... Beep... *sai produto*... Brrrrr... Beep... *sai produto*

E assim sucessivamente até à eternidade.


Gosto de mudanças e experimentar, o mundo é tão mais que as longas planicies do interior alentejano.
A chave do meu coração são novidades. Tenho necessidade de novos ares, tenho necessidade de novas coisas. Comidas, arte, personalidades.
Prefiro um sitio com personalidade a um sitio de luxo. Em vez de um restaurante com 3 estrelas Michelin e empregados zombie que digam "Bon appetit", prefiro um bar ranhoso à beira-mar, com música ao vivo e empregados com sentido de humor que digam "tá aqui a comida, caralho".

A frase mais comum do meu blog deve ser: quer(o) o mundo. Nunca isso foi mais verídico que agora.
Portanto espera por mim mundo, porque eu vou tomar-te de assalto, e quando o fizer, não vou deixar pedra por virar ou onda por ver.


domingo, 27 de dezembro de 2015

O ano em resumo

Outro ano se passou, outro ano a escrever num blog sem futuro, a viver baixas expectativas e a querer o que não posso ter.
Ao menos um ano cheio de emoções cheias posso dizer. De experiências que vou guardar no cantinho mais resguardado da minha memória, não só porque não as vou esquecer, mas também porque não as quero esquecer.
Fui a festivais e concertos, vi alguns dos melhores artistas do mundo e vi bandas locais que deram espetáculo com os seus covers maisquecomuns das músicas dos Xutos e dos Guns,  li clássicos literários e teen novels, vi a estreia mundial do novo Star Wars, vi das paisagens mais bonitas que este país tem para oferecer e encantei me pela personalidade da grande metrópole. Perdi pessoas que admirava e umas quantas outras que nem tanto. Amei e fui amado incondicionalmente, até já não haver condições para tal.
Entreguei me de corpo e alma a tudo, aprendi que a poesia é muito mais que rimas, a poesia é a alma do poeta no papel, aprendi que Fernando Pessoa e Cesário Verde abusavam UM BOCADINHO no absinto, e descobri que por isso são dois dos maiores poetas do nosso país.
Descobri que tenho medo de não fazer nada daquilo que quero fazer, até apresentei um trabalho na escola sobre isso, a dizer que nem todos iamos ter lugar na história e por isso devíamos dar valor às pequenas razões da vida, a hipocrisia é realmente a maior virtude do ser humano.
Mas apesar de toda essa crise existencial - chamemos lhe crise de sexto de idade- aprendi que realmente são os pequenos momentos de intimidade que dão valor à vida
Ar, comida e água são necessários à vida, mas intimidade, prazer e amor são as razões pelo qual vale a pena viver.



E para o ano?

Continuarei a escrever neste blog sem futuro, continuarei a perguntar-me onde pertencem as pessoas solitárias, continuarei a amar incondicionalmente mesmo sem condições. Serei nada mais, nada menos que eu próprio. O mesmo miudo confuso, possessivo, (não clinicamente) deprimido, que quer voar apenas porque gosta da liberdade dos pássaros e quer o mundo, mas não o quer sozinho.

Vendo bem as coisas só me faltou experimentar sushi...





PS: Convido-vos a verem o video e a ouvirem e a reparem no sorriso enorme na cara do vocalista, a minha interpretação da música é que ela fala da juventude e de aproveitar enquanto somos jovens, e ele está visivelmente a aproveitar aquilo que faz. Sorrisos são tão contagiantes quanto espirros ou bocejos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Palavras caras e rimas brancas

Icebergs, sou maior
Sou tu, sou todos,
Sou a imagem na tua cabeça,
Sou o refrão repetido até à insanidade.

Há dias em que podia morrer,
Mas hoje não é um deles

Hoje sou rei,
Rei da inconveniência,
Rei da perversolândia,
Rei do meu cantinho à esquerda
quando se sobe as escadas lá em casa.

E sou louco,
Como todos os dias,
Porque escrevo sobre ser louco,
Porque me sinto a desaparecer por entre os lençois,
Porque as minhas paredes ja sabem o quanto eu quero
Aquilo que quero.

Passo pelos anos.
Vivo, mas nunca vivendo.
Faço céu e inferno,
Tenho o Diabo no corpo
Ou então sou Deus.
Ninguém sabe. E nunca saberão.

Sabem? Hoje é daqueles dias em que não se morre.
Hoje vive-se a doce ironia da vida.
Hoje não se morre, hoje é-se.








Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.