sexta-feira, 6 de maio de 2016

Voltemos ao romantismo

Amor não é o altruísmo, antes pelo contrário. Amor é o egoísmo do ser. O amor
tem que ser egoísta para existir. É o desejo da exclusividade.
Qual seria o objectivo de querer alguém se depois não me importava de partilha-la? Amo-a, claro que não quero partilhar.
A guerra de Tróia começou por amor. Um homem disposto a sacrificar a sua vida, e talvez mais importante, dos seus soldados, por causa de uma mulher. Se isso não é egoísmo, então nao sei o que é. Mas também se não é amor, eu também não sei o que é.
Sempre fui egoísta com as pessoas, nunca com as coisas, nem com serviços ou ajudas, mas sempre com as pessoas, no que toca a amizade e, especialmente, ao amor sempre fui egoísta.
Sou um amante egoísta que abdicava de todos os holofotes do mundo se pudesse estar algures no centro da atenção de quem eu amo.
Amor é requisitar tempo, atenção e carinho de alguém que tem isso tudo e muito mais vindo de nós. Amor apenas serve às pessoas que se amam e mais ninguém. E é por isso que é egoísta.
Parece egocêntrico, mas é apenas amor.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

La fille danse

(Acordei de manhã na nossa cama.
Já estavas acordada. Olhavas me, suponho que já à algum tempo. Sorri. Se o tempo tivesse que parar,
que parasse agora. Contigo a olhar me nos olhos.
A dança apertada que se faz num espaço pequeno como aquele vale torna-o maior que qualquer salão.
Tudo o que se sente surge em palavras curtas, expelidas como gemidos e ditas com o maior dos sentimentos. Como uma música francesa. Um "La Vie En Rose" perfeito.
Penso je l'aime des fois, sempre quis apreciar Paris com alguém sabias?
Uma cidade tão grande, com alguém tão grande, só pode servir para alimentar o meu ego tão pequeno e tão egoísta.
Vês? Ainda agora acordei e já os teus os teus olhos me levaram para longe.
Esta é daquelas manhãs que dura a tarde toda...

Podiamos ficar a olhar nos, só nós, nos olhos, porque sim. Se isso não é viver não sei o que será.
E podiamos tocar-nos, dançar com os dedos na pele um do outro. Podiamos aproximar nos e fazer o que os coelhinhos fazem. C’est comme ça. Ou então podemos sonhar acordados, fazer viagens sem sair da cama, imaginar que o faremos quando arranjar mos a coragem de nos largar e levantar do calor da cama.

Somos assim, sem devaneios, sem complicações, só nós existimos, só nós precisamos de existir, somos maiores que o tempo, não há tempo que nos chegue, a cama é o nosso mundo e tu és o centro dele.
Deixo-me ir com o calor do teu corpo e dos lençois, os olhos ficam-me pesados e deixo-me ir. É uma boa vida.)

Acordei de manhã na minha cama. 
Estava sozinho. A sonhar somos felizes. Afastados mas sempre juntos em mim. Talvez em ti também. Sonhemos muito, mas bem. O sonho faz a realidade valer a pena.
C'est la vie.









segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Sol brilha para todos

Eu não sei o que espero. Nunca fiz as melhores decisões e passei a vida a pedir permissão a quem ma desse. Fugi e escondi-me.
Mas sei o que quero e quem quero. Sozinho chorei de mão dada e chorei de mão fechada. Estive num um-para-um com Deus várias vezes. Ganhei sempre a discussão. É pretensioso, discutir com alguém que não nos responde, mas eficaz.
Não sei o que espero, mas espero. Talvez queira ver se o carvão se torna em diamante. Talvez espere uma resposta de Deus, ou quem eu queira. Ou talvez quem eu queira seja o meu(minha) Deus(a) e a minha religião: o amor puro, o pecado do desejo e todas as intimidades, da arte da pele branca de coco, da submissão aos instintos.
Porra! Se houvesse uma religião assim eu era o Papa.

Mas parece que vou ter que esperar. Não tenho tempo. Mas espero na mesma. Esperar para tocar em pele de coco, olhar em olhos profundos, esperar pelo contacto corporal que não vai ser iluminador e catártico, mas simplesmente harmonioso e íntimo, esperar para voltar a pôr "meu amor" no final do título dos meus pseudo-textos. Esperar para usar a palavra "pseudo" na situação em que gosto de a usar...

Esperar para poder dizer que não é como o Sol. E é só para mim.







sexta-feira, 15 de abril de 2016

Interpretações (na pele de Florence Welch) - Delilah

Delilah - Florence and the Machine (Interpretação da letra)

Apesar de deambular com o nascer do sol mais bonito à minha frente, tenho os olhos no telemóvel à minha frente. Liga-me. Já. Estou à espera.
Estou impaciente, eu sei. E também sei que não devia estar. Mas agarro-me à esperança de uma chamada. Onde andas?
Espero pela tua voz mas não quero esperar. Mas não é como se tivesse escolha. És como és e fazes o que fazes. E eu nada posso fazer.


O sol encandeia-me os olhos sensíveis. Sem forma de aguentar a luz. Cega.
Tu, a noite e a bebida puseram-nos assim. Por falar em bebida, vamos encher um copo para passar o tempo, não fará mal nenhum.
Continuas sem me dizer nada. Onde estas, homem? Encara-me. Liberta-me.

Talvez isto seja um aviso para o perigo. Quando não se vêem os sinais e se ignoram os sinos.
Dalila fez o mesmo a Sansão. Deitou-se com ele, e cortou-lhe o cabelo enquanto ele dormia, tirando lhe a força, depois deixou-o para ser capturado, cegado e humilhado. Posso dizer que a minha raiva é igual à de Sansão depois disso. E ele derrubou os pilares de um templo...

... mas o templo caiu lhe em cima. Tal como tu me fazes ruir a mim. Ensinaste me a dançar apenas para me fazer dançar para ti. E eu nunca parei de dançar.

Porque? Porque eu, pobre rapariga que sou, sou Sansão. Mas queria ser Dalila. Talvez se te magoar como tu me magoas eu me liberte. Mas a verdade é que ainda estou à espera da tal chamada. Como eu te cortava o cabelo se conseguisse...

Será que sou não que não sei escolher. Cada tiro, cada melro. Cada rapaz, cada mentira. Sem sorte.
Talvez seja por sorte que existam aqueles comprimidos da sorte que ajudam a esquecer e a passar o tempo.
Eu vou ficar bem. Eventualmente. Quando eu quiser. Mas hoje não. Hoje não quero.

Sinto me um pano molhado estendido à varanda. Perdendo cada vez mais a cor cada vez que sou exposta assim.
Como a Sansão, tiraste me as forças, Dalila. Fui cegada e acorrentada por causa de ti. E não me libertei, não... em vez disso aprendi a dançar para ti, e arrastei as correntes.

E agora... o templo cai me em cima.




segunda-feira, 28 de março de 2016

Jesus devia ter entrado em coma alcoólico

Às vezes gostava de me atirar de uma janela e não morrer. Atirar me e bater nas pedras da calçada. Com força. Bater e não morrer, apenas sentir a adrenalina da velocidade terminal e o impacto da primeira lei de Newton.
Depois levantava me e ia à minha vida.



O que se faz quando não se sabe o que fazer?
Talvez beber, apanhar uma bebedeira tão grande como a que Jesus devia ter apanhado na ultima ceia (se ele sabia que ia ser preso a seguir ao jantar e havia vinho na mesa porque não aproveitou? Ele até sabia transformar agua em vinho) talvez experimentar daquelas coisas que alucinam, talvez foder daquelas pessoas que não nos dizem nada, ou talvez dormir e sonhar com todos os "talvez" aqui referidos.
Talvez seguir um caminho diferente ao desejado na esperança de um dia encontrar um atalho.


O que se diz quando não se sabe o que dizer?
Quando se ouvem palavras de amor vindas do fundo de um poço. Quando o silêncio sussurra à solidão as palavras mais bonitas que ouves. A resposta é nula, manchada de sangue e pontos de interrogação. Cai se de joelhos e cai se bem, como o cair de um miúdo a jogar à bola. Esfola se os joelhos mas continua se porque tem que se ganhar o jogo, pelo bem da equipa.

Ophelia, you've been on my mind like a drug...




domingo, 14 de fevereiro de 2016

Obrigado meus artistas!

Poucos textos me foram tão difíceis escrever como este.

Mais um ano e mais uma gala. Pensariam que o hábito já os teria imunizado da pressão de palco. Mas a vontade de fazer mais e melhor torna-os autênticas canas ao vento. A ansiedade de entrar em palco para despachar a coisa só lhes dá vontade de esmurrar toda a gente.
Ouvem se as pessoas chegar e o burburinho por detrás da cortina, elas querem um espetáculo, eles querem dar-lhes O espetáculo.
Por trás da cortina todo um conjunto de pessoas faz uma oração. "Merda! Merda! Merda!" - acaba assim a oração, dizem que tráz boa sorte aos artistas, quem diria que até ao final da noite se iria repetir esta palavra mais umas tantas vezes.
No fundo aquele conjunto de pessoas, não são só artistas, são amigos, mas são também aquela palavra que usamos quando nos queremos referir a pessoas que nos são tão queridas que nem sabemos o que lhe chamar: família.
Quem diria que um conjunto de personalidades diferentes, fortes, enormes e talentosas se iria juntar para formar um espetáculo que iria marcar a vida de cada um, possivelmente até ao final desta.
Estes ultimos dois parágrafos juntamente com "Foda-se vai começar!" deve ter sido o que passou na mente de cada um daqueles jovens antes da cortina se levantar. O nervosismo tomava conta de nós.
Então e quando a cortina se levantou?
Aí é que eles se revelaram, abriram o coração ao público e não hesitaram. Deram tudo o que tinham no corpo e ainda mais.
Dançaram com corpo e alma, ao som da Beyonce, dos Walk The Moon, da Sia, dos Oh Wonder, da Adele e das Weather Girls. Abriram os seus corações ao som da Amália, do John Mayer, do João Villaret, da Edith Piaf e da Sara Tavares.
O palco era o mundo sem ninguem se não nós. O trabalho de um artista é tão recompensador. Estar alí e fazer o que se gosta, com ou sem risos, com ou sem choros, com ou sem aplausos. Ser nós. E só nós.
Os dedos nas guitarras, as bocas nos microfones, os joelhos no chão. São as melhores sensações partilhadas com as melhores pessoas. E as melhores pessoas não são o publico, oh não...
São eles, aqueles que assistiram ao trabalho que se colocou em cada detalhe, aqueles que se apoiaram mutuamente em todas as alturas.
E não haveria melhores pessoas para partilhar os aplausos. O culminar de tantos meses de trabalho.
"Não é o objetivo o que interessa mais, mas sim o caminho percorrido até lá chegar", e posso dizer que apesar de o objetivo final não poder ter corrido melhor, o caminho percorrido foi o melhor graças a este pessoal.

Obrigado e vos garanto que o caminho conjunto de cada um não acabou aqui, eles irão voltar a cruzar-se.









segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Clichês

O autocarro está parado no meio da rua por causa de um carro mal-estacionado.
O John Mayer faz um cover de "Bold as Love" de Jimi Hendrix ao meu ouvido. Por entre "bends", "hammer-ons", "pull-offs" e "blue notes". Ele para. Faz um discurso. Diz que precisa de amor. Oh John não precisamos todos? E acima de tudo, todos queremos. Queremos tanto que já é clichê.
Eu gosto de clichês. Clichês são clássicos. Jantares à luz das velas e beijos à chuva são clichês. O amor está tão batido que o próprio amor já é clichê.
Clichê é ligar a meio da noite para dizer "amo-te" ou para ter uma conversa porca. Clichê é por um cadeado num ponte. Clichê é escrever textos sobre amor. Paris é clichê.
E que bom que é ser clichê. O amor mede-se tanto pela destreza com que se desaperta o botão de uma camisa como pela quantidade de frases feitas, pirosas e sentidas que se dizem. Amor acontece quando somos o que impede alguém de precisar de mais.


Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.