quarta-feira, 27 de julho de 2016

Estrelas metafóricas e devaneios madrugadores

Uma coisa que vos posso contar sobre mim é que adoro as estrelas, mas tenho um amor especial à estrela polar. Não passa uma noite que eu não olhe para ela e não a admire, lá no alto, num sitio tão alto onde eu nunca chegarei. Eu olho-a à distância e o brilho que dela vêm mantém me orientado, mantém o meu caminho certo e seguro. "A minha direção é aquela estrela" - penso eu para com os meus botões.


É sem dúvida a estrela mais bonita que há no céu, apesar de nem sempre ser a mais brilhante.
Sei que consigo encontra la sempre que me perca, passei muito tempo a descobri la na noite para a saber encontrar em todas as situações, sem importar o quão escura ela esteja.

Mas cá está, é uma estrela. O que é um simples ser humano comparado a um corpo celeste? O que sou eu que apenas a admiro à distância contra um ser estelar com um brilho próprio e contagiante?

Sempre fui ambicioso, sempre quis o céu e os astros.
Talvez um dia me torne astronauta. E consiga conquistar a estrela.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Wanderlust

O sitio onde escrevo (que por acaso também é o sitio onde durmo), parece um forno nestas noites de verão.
Está um calor insuportável aqui, juro. Eu estou deitado em cima da cama, sozinho e a derreter e imagino todos os sitios onde queria estar agora (spoiler alert: nenhum deles é a rua da estação).
Com alguém nos meus braços, ou nos braços de alguém, bem longe.

Imagino-me em cima do capot de um carro, no meio do nada, com uma música qualquer, numa rádio qualquer, nesta noite, ou numa como esta, a ensinar constelações e a contar histórias da treta sobre as estrelas.

"Sabes a história de Altair e Vega?"

Ou então numa praia qualquer do mundo, daquelas que se vêem nos postais e nos filmes. Areia da cor do pôr do sol e água limpida como nós. Com um mojito numa mão, daqueles com uma sombrinha e uma palhinha que dá 30 voltas ao copo, a fazer um brinde à vida.

"A nós, à vida, e que ela nunca mude."

Ou até num quarto de um hotel ranhoso, no fim do mundo. Com uma tempestade dos diabos na rua. Numa cama de paletes e um colchão. A fazer planos para o futuro entre trovões e relâmpagos.

"Se me aqueceres neste frio, eu protejo-te dos trovões. Pode ser?"



Vamos embora. Estou em casa sozinho e está um calor dos diabos.




















domingo, 3 de julho de 2016

Até a lua

Deve haver coisas que odeio em ti... certo?

Odeio saber que choras, odeio saber que as lágrimas te caem e eu nada posso fazer. Sinto-me inútil, impotente, desnecessário, supérfluo.
odeio que chores, pessoas como tu não deviam poder chorar, devia ser ilegal. Pessoas amadas não deviam chorar.
Odeio a forma como não vens ter comigo quando queres chorar.
Odeio saber que tens defeitos e que um deles é chorar como uma criança. Defeitos vários que variam entre mudanças repentinas de orgulho e a pouca noção de uns ombros largos que pensam ter o peso do mundo neles.
Talvez odeie tudo aquilo que dizes e não me diz respeito? Odiar tudo aquilo que dás a outra pessoa que não eu?  A forma como andas? A forma como danças? A forma com que me fazes desejar-te às paredes? A forma como não vens quando te chamo? A forma das minhas lágrimas para ti?

Odiar as minhas palavras para ti.

Odiar o amor
Odiar o que me faz sentir
Odiar- te a ti por me fazeres sentir amor
Odiar- te a ti por me fazeres feliz

Odiar tudo

O amor é um filho da puta.

E eu talvez deva odiar-me
E eu talvez deva odiar-te

Mas não...


Já sei o que odeio...

Odeio o facto de não te odiar nem um bocadinho.

E odeio que o ódio seja o sentimento mais próximo do amor.




E é isto

"E no momento em que acabou, eles aperceberam-se que tinham vivido algo de especial"
Estas são as únicas palavras que me passam pela cabeça ao escrever isto. Estou sentado num sofá e os meus companheiros já dormem todos, sim companheiros, é exatamente a palavra que procurava. Eles dormem porque amanhã é mais um dia de festa (se bem que com este pessoal, todos os dias são de festa) e eu sento-me a escrever.
Porquê? Porque esta semana descobri algumas coisas muito interessantes: descobri que aquele clichê que diz "os amigos são a familia que se escolhe", é verdade. E descobri de que material a maior parte da vida é feita.

A vida meus caros, é feita de pirâmides de mini e garrafas de moscatel, de shots pagos pelo dono do bar, de caipirinhas feitas sem saber ou então cachaça com açucar. De caminhadas de 4 km até à praia e escaldões de Joni Lagostim, de ficar a saber os hits todos de cor porque a Comercial e a RFM passam as mesmas músicas 500x por dia à vez. De celebrar a pátria como se não houvesse amanhã, dizer mal do Renato Sanchez até ele marcar golo, ser treinador de bancada durante os jogos da seleção, celebrar quando o ciganão entra em campo e quase sofrer uma trombose quando o jogo vai a penalties.

A vida está entre bares de reggae e bares da praia, entre fotoshoots e sestas na areia, entre o "Isso Bar" e o mini-bar. A vida está na promessa de bater a Liga Knockout e de regressar.

E acima de tudo, a vida está neles, aqueles que agora dormem e tornam todos os dias numa aventura.

Obrigado companheiros.









quarta-feira, 22 de junho de 2016

Caír aos poucos

Olhei me ao espelho hoje. Com olhar eu quero dizer, olhar com olhos de ver. Notar todos aqueles detalhes que eu adoro notar nas outras pessoas mas odeio ver em mim. Desabituei-me a fazê-lo. Não sou o tipo de pessoa agradável aos olhos, e neste momento, pelo que vejo no meu espelho, não sou agradável de todo.
Tenho marcas nas maçãs do rosto, e tenho-as mais salientes o que significa que perdi peso, provavelmente. Tenho a (pseudo)barba por fazer, obviamente está cheia de falhas (e só aqui entre nós parece-se bem mais com um monte de pelos púbicos que uma barba). Tenho o cabelo atado apesar de não ter cabelo suficiente para o atar bem, cai-me para a frente dos olhos mas não tenho paciência para o pentear. Tenho a mesma roupa à mais tempo do que devia. Uns calções cinzentos e um wife beater preto. Tenho um ar desleixado, de vagabundo.
Mas no entanto é no meu quarto que me sinto mais vagueante, inconstante, sufocado, confuso, meio-amnésico, farto, e acima de tudo, sozinho.
Sei que não o estou, mas nesta altura da minha vida é a única forma que me consigo sentir. Tantas decisões para fazer, e cada uma delas me faz sentir mais afastado de tudo.
A pressão das decisões apenas pode ser comparada aquela que se sente no fundo do mar. As expectativas estão tão altas e eu nunca gostei de ter expectativas de qualquer tipo.
A parede branca nunca esteve tão branca, o calor nunca esteve tão frio, as estrelas nunca estiveram tão longe, o whiskey nunca teve tão forte, a musica nunca esteve tão triste, e eu nunca me senti tão desinteressante.
As palavras escapam-me naturalmente e isso é mau sinal, porque posso acabar por dizer coisas que não queira.
O mundo está mesmo sem cabeça? Ou sou eu que a estou a perder aos poucos?

Escrevo muito, mas nada que se aproveite. Penso muito, mas nada que se aproveite.
Devia mudar de roupa.





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Voltemos ao romantismo

Amor não é o altruísmo, antes pelo contrário. Amor é o egoísmo do ser. O amor
tem que ser egoísta para existir. É o desejo da exclusividade.
Qual seria o objectivo de querer alguém se depois não me importava de partilha-la? Amo-a, claro que não quero partilhar.
A guerra de Tróia começou por amor. Um homem disposto a sacrificar a sua vida, e talvez mais importante, dos seus soldados, por causa de uma mulher. Se isso não é egoísmo, então nao sei o que é. Mas também se não é amor, eu também não sei o que é.
Sempre fui egoísta com as pessoas, nunca com as coisas, nem com serviços ou ajudas, mas sempre com as pessoas, no que toca a amizade e, especialmente, ao amor sempre fui egoísta.
Sou um amante egoísta que abdicava de todos os holofotes do mundo se pudesse estar algures no centro da atenção de quem eu amo.
Amor é requisitar tempo, atenção e carinho de alguém que tem isso tudo e muito mais vindo de nós. Amor apenas serve às pessoas que se amam e mais ninguém. E é por isso que é egoísta.
Parece egocêntrico, mas é apenas amor.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

La fille danse

(Acordei de manhã na nossa cama.
Já estavas acordada. Olhavas me, suponho que já à algum tempo. Sorri. Se o tempo tivesse que parar,
que parasse agora. Contigo a olhar me nos olhos.
A dança apertada que se faz num espaço pequeno como aquele vale torna-o maior que qualquer salão.
Tudo o que se sente surge em palavras curtas, expelidas como gemidos e ditas com o maior dos sentimentos. Como uma música francesa. Um "La Vie En Rose" perfeito.
Penso je l'aime des fois, sempre quis apreciar Paris com alguém sabias?
Uma cidade tão grande, com alguém tão grande, só pode servir para alimentar o meu ego tão pequeno e tão egoísta.
Vês? Ainda agora acordei e já os teus os teus olhos me levaram para longe.
Esta é daquelas manhãs que dura a tarde toda...

Podiamos ficar a olhar nos, só nós, nos olhos, porque sim. Se isso não é viver não sei o que será.
E podiamos tocar-nos, dançar com os dedos na pele um do outro. Podiamos aproximar nos e fazer o que os coelhinhos fazem. C’est comme ça. Ou então podemos sonhar acordados, fazer viagens sem sair da cama, imaginar que o faremos quando arranjar mos a coragem de nos largar e levantar do calor da cama.

Somos assim, sem devaneios, sem complicações, só nós existimos, só nós precisamos de existir, somos maiores que o tempo, não há tempo que nos chegue, a cama é o nosso mundo e tu és o centro dele.
Deixo-me ir com o calor do teu corpo e dos lençois, os olhos ficam-me pesados e deixo-me ir. É uma boa vida.)

Acordei de manhã na minha cama. 
Estava sozinho. A sonhar somos felizes. Afastados mas sempre juntos em mim. Talvez em ti também. Sonhemos muito, mas bem. O sonho faz a realidade valer a pena.
C'est la vie.









Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.