Estou parado à beira da entrada da estrada nacional, a partir daqui seria, entrar na auto-estrada e seguir para onde o mundo me levar. Sim é cliché eu sei, mas tu sabes que sempre gostei de clichés e filmes. Talvez isto até seja o mais parecido a um filme que eu vá viver, sou novo, porque não?
Se isto fosse um filme talvez eu agora me fosse embora com a capota do Ford Escort em baixo, óculos de sol, o cabelo a pingar gel, o "Born to be Wild" a dar na rádio e uma vontade de abandonar tudo...
Sentei-me no lugar do condutor e meti a chave na ignição. Está na altura de fazer a decisão, não há nada que me prenda aqui, tinha-te a ti, mas não sei se essa é razão suficiente para ficar.
Não é que eu não queira ficar contigo, quero, quero mesmo, mas não sei...
Um cabrão de um camionista apitou e distraiu-me dos meus pensamentos, nessa fração de segundo em que me distraí ia jurar que tive saudades de pensar em ti.
E quanto mais me lembro de ti mais me apetece pegar no carro e dar a volta...
Não sei se o faça, nem sei o que faça se fôr, talvez pegue em ti e te leve ao céu, alí no hall de entrada, talvez fale contigo primeiro, tenhamos uma discussão como nos filmes e depois reconciliamos no quarto, ou talvez nem me abras a porta...
Chego à conclusão que não me interessa, vou ter contigo, e vou matar as saudades desses lábios, matar a fome desse corpo e querer te como nunca te quis!
Meto a primeira e dou a volta, que tinha eu na cabeça?
Ir me embora sem me despedir?
Já alguma vez pensaste em mim à noite quando ninguém está a ver? Eu já pensei em ti, penso em ti todas as noites, e todos os dias se é que te interessa.
Nem sei porque, aposto que tu só pensas em mim quando estás a pensar no que fazer à outra gaja com quem vais fazer amor, ou foder, porque fazer amor nunca vais fazer como fizeste comigo, ao menos fico com essa parte de ti. Pfff, fazer amor... ingenuidade pura.
E enquanto tu passas os dias acompanhado de mais, os meus são apenas mais solitários a cada dia que passa. Contemplo a janela, contemplo a lâmina e contemplo o dealer ao fundo da rua. Mas abstenho-me pela hipótese de tu voltares a entrar por aquela porta e eu não querer que tu me encontres num estado em que não possa ver essa tua entrada triunfante.
Mas o que acontecerá quando tu (se tu) entrares por aquela porta? Será para vir buscar as tuas coisas? Ou para me pegares ao colo e me levares para o quarto?
Porque é que com tanta gente para amar, só me preocupo contigo? Foda-se! As vezes apetece-me partir tudo o que é nosso. Incluindo a ti, visto que sempre partilhamos os nossos corpos, apetece-me bater-te, e pontapear-te e esmurrar-te, e beijar-te e abraçar-te e dizer-te que és meu.
Como eu gostava que estivesses aqui...
Esta casa é o céu sem ti... e é tão aborrecida. Só já vejo o céu escuro da noite, e o cigarro a queimar na noite. Pergunto-me se lá ao longe percebes que aquela pequena luz sou eu a pedir te para voltares para casa.
Já não durmo, a cama é enorme sem ti e por mais que tente compensar a tua falta acabo sempre em lágrimas a gritar o teu nome. Pergunto-me se sequer pensas no meu.
Deves andar por aí, de bar em bar, de gaja em gaja, a tentar perceber que sou aquilo que sempre quiseste.
E vais voltar, tão fluído com um longo suspiro. E eu espero incansavelmente.
De que me vale continuar se eu só sou eu quando tu estás?
E a mim? Achas que não me custou sair pela porta daquele 5º andar? Juro que às vezes preferia ter saído pela janela...
Tu já sabes o que aconteceu depois, se não sabes imaginas.
Enfiei-me num bar a quilómetros de casa, de ti e enfrasquei-me, bebi whiskey até não poder andar, agarrei numa gaja qualquer que fodi no carro e tentei esquecer-me de ti.
Escusado será dizer que não deu. Apenas a tua imagem aparecia a cada investida que fazia. Foi constrangedor, não o voltei a fazer. E por respeito a ti tirei a aliança, que é mais do que tu alguma vez fizeste por mim.
Eu sinto a tua falta, sinto mesmo. Mas o orgulho é maior que eu, sabes que sempre me considerei um mundo antes de me considerar um homem, mas às vezes não passo de um rato.
Talvez eu não seja mais que um rato nojento, um mártir daquela merda a que chamam amor. Provavelmente até nem sou mais que isso, até nem sou mais que a chuva que cai ou o soldado que desertou.
Tem pena de mim, eu quero que tenhas, tem pena da pessoa que sou sem ti. Já devíamos estar habituados a isto, mas como nos habituamos a ser miseráveis?
Quem é que tomou quem por garantido? Acho que tentamos responder a essa pergunta tantas vezes que acabamos a trocar mentiras por vantagens.
E a chuva toca-me no rosto e tem um toque suave como o teu. Estou encostado ao carro no meio do nada, ouve se uma respiração de dentro do carro e não és tu, custa me tanto ter que estar com outra pessoa que acho que nem sei o nome. O único som audível em quilómetros é o som do meu cigarro a queimar, eu sei que prometi deixar de fumar, mas eu também prometi cuidar de ti até que a morte nos separasse.
Se eu falhei a cuidar da pessoa mais importante da minha vida, para que mais sirvo?
Considero voltar, será que me abres a porta? Se eu te chamar querida, disser que te amo e te fizer sexo oral deixas me voltar? Pois talvez não, se estiveres como eu, a sentir a raiva do próprio corpo e a quebra da própria alma.
O sol já nasce, e caio de joelhos, espero um momento para observar a segunda coisa mais bonita do mundo e dou um ultimo gole no whiskey antes de partir a garrafa.
Apercebo-me que assim como a garrafa eu parti te, e vi te por dentro, e vi as tuas cores e vi que por dentro eras feia, feia como eu, e satisfiz-me em ti.
Ás vezes gostava de estar morto demais para chorar, mas vivo para que tu me assombrasses.
Então faz me um favor. Pede me para voltar, pede me para ficar. Eu quero saber que te pertenço e não me deixes sair outra vez pela porta, quanto muito pela janela.
E já sobe o sol de novo. E é mais um dia que tenho que passar sendo tua. Não sei, parece que olhar-me ao espelho magoa, ver este reflexo de mulher perdida, e magoa ainda mais não te ver nele.
Tentamos o adeus tantas vezes, mas caminhamos na mesma direção. Eu acho que caminhamos na mesma direção para nunca nos afastarmos verdadeiramente.
Eles dizem que o tempo cura tudo, mas é o tempo que magoa mais, o tempo sem ti meu amor.
Parece que foi ontem que saíste pela porta e entre gritos e injurias disseste que nunca mais me querias ver, talvez até tenha sido ontem eu perdi a noção do tempo quando te foste, e eu chorei com a mesma força emocional que tinhas quando saíste. Não conto as vezes que me sentei em frente ao espelho nua e te esperei, com lágrimas e o desespero de quem ama.
Cada carro que passa em frente ao prédio é o teu e cada porta da rua que abre és tu a voltar.
E talvez até sejas, e eu abro sempre a porta...
E nunca és...
Este quarto está distorcido sem ti. Porra! O mundo está distorcido sem ti.
Talvez eu não te mereça e é por isso que agora não voltas, talvez tu não mereças o amor que tenho guardado para ti, mas eu juro aqui e agora que to dava todo, até porque não consigo dá-lo a mais ninguém, às vezes gostava de te poder magoar como tu me magoaste meu cabrão, não fosses tu meu amigo mais que meu amante.
As tuas cartas ainda tem o teu perfume, passa-me a possibilidade de as queimar, nunca o faço e arrependo-me logo de sequer ter pensado isso. A verdade é que tudo o que sou, fui contigo e não abdico disso.
A porta da rua abriu! É apenas o carteiro...
Está escuro, nunca tive medo do escuro, mas passo a ter se tu me vieres consolar e dizer "vai ficar tudo bem".
Mas não vai ficar, porque as minhas histórias de amor não acabam assim, nas minhas histórias de amor a princesa desiste da vida, o príncipe droga-se, os anjos mentem para se sentirem no controlo e o espelho mágico tem o meu reflexo.
E é engraçado como as reflexões mudam...
Espero-te neste tédio que me olha e deixa que as vozes na minha cabeça digam a maior loucura de todas:
"Segue em frente"- nunca fui de obedecer.
Hoje acordei a pensar em ti. Olhei para o telemóvel e apercebi me que tinha uma chamada perdida tua. Senti-me estupido por ter perdido a oportunidade de ouvir a tua voz e ouvir te dizer que me amas mais uma vez.
Porque há certas coisas de que me canso na vida (e há certos dias em que me canso da vida) mas ouvir te dizer "amo-te", nao é uma delas.
Faço a minha vida normal ("normal"), mas sempre com a tua imagem na minha cabeça.
Pois desculpa, mas já deixei de contar as vezes em que te imaginei na cama só hoje. As vezes dou por mim a olhar para ti e a pensar "por favor, vem até aqui e beija-me". Sim porque o anseio de te ter é a maior razão de viver, e haverá lá outra.
Nos teus lábios (ou na falta deles) residem todos os meus medos, e nas tuas pernas o amanhã, a tua voz é o suficiente para me fazer voltar, e "tu" é o suficiente para me levar onde quiseres.
Há pessoas que me marcam, pessoas que deixam o impacto e desaparecem, há pessoas... há pessoas e depois existes tu.
Esse "tu" que me conquista todos os dias. Apaixona-te por mim todos os dias, cansa te de mim todos os dias, volta a mim todos os dias, sê minha todos os dias.
Há a ansiedade de viver e a ansiedade de te ter, que no fundo é o mesmo.
Essa tua mania de me surpreenderes é das coisas que mais me surpreende.
Surpreende-me todos os dias como quiseres, seja com uma música, com um beijo, com um milímetro do teu corpo que nunca mostraste a ninguém.
Dá-me tudo, tudo o que queiras dar, que eu vou receber com prazer.
E nesse misto de emoções, voltei a amar me e a amar te.
Cansa te de mim se quiseres, mas eu não vou a lado nenhum. Eu não sou o vento que passa, ou o estranho que passa de cigarro na boca e vira no cruzamento, sou aquele que está contigo ate o meu corpo não me aguentar. Aquele que vê nesses olhos castanhos, a linha da costa ou a Gare du Nord e um futuro em tons de sépia.
Eu sou um tipo frágil e tu és o brilho nos meus olhos. Eu nao te peço promessas, e não tens que me chamar teu, mas porra eu chamo te minha. E eu nao me canso de ti.
Acredita em mim quando digo que gracas a ti a solidao ja e só apenas uma palavra. E com o teu toque de Midas me transformaste, não em ouro, mas em algo bem mais valioso. Eu não sou magnifico, e sou apenas uma pequena parte do holoceno, mas sou a tua parte, e haverá algo mais valioso que a entrega?
Há algo de doce no ar quando estás. E algo de inexplicavelmente hipnotizante no teu perfume. E algo de assustadoramente imponente na tua imagem, que me deixa desejando a tua figura 24/7, seja segunda ou quinta feira, esteja Orion ou Escorpião no céu.
Vieste e amaste me numa altura em que eu nao conseguia amar me a mim próprio. E assim te amo.
E vamos ter tudo, e temo mo nos a nós, e bem vistas as coisas, isso chega nos.
Como diz a música dos Ornatos, "a cidade está deserta" e eu só não escrevo o teu nome em toda a parte porque é ilegal. Não que eu nunca tenha feito nada ilegal, ou que tenha medo, só acho que o mundo é feio de mais para o teu nome ser escrito nele, ou o meu.
Foda-se o mundo é tão pequeno, que podia dar lhe as voltas que quisesse que iria dar sempre ao mesmo sitio: a teu lado.
Que posso dizer? Sou um lamechas, um mimoso, um piroso. Mas acima de tudo, sou teu.
Porra se sou, o meu sorriso só aparece quando estás, o meu corpo só aquece quando falas e as minhas palavras só fazem sentido quando são para ti.
Isto tudo pode parecer exagerado, as palavras de um romântico clássico, o discurso de um sentimentalista, talvez até seja algo de uma hipérbole, talvez até seja exagerado, mas apenas o é para competir com o amor exagerado, saudável, louco e incontrolável que tenho por ti.
Foda-se que te amo. E se o mundo é assim tão feio, que nós estejamos cá para o contrariar.
Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.