quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

3, 2, 1... Descolagem...

Sempre escrevi tanto por necessidade como por capricho. E sempre escrevi sobre o que queria escrever.
Sobre mim, sobre ela, sobre o mundo, sobre o meu medo irracional de não ser um floco de neve mas ser apenas um "qualquer coisa", como tantos outros "quaisquer coisas" no mundo.
Mas sou um "Major Tom" (para citar o grande Bowie), que tanto se perde nos seus pensamentos e esperanças que acaba por se alienar do mundo. Eu perco me mais na minha mente que nos olhos dela.
Penso a mais de 200 000 km/h sem sair do lugar. Podia fazer da estratosfera casa. Flutuar no infinito, entre o brilho estranho das estrelas e os corpos celestiais. Mas serei sincero, vou preferir sempre os corpos terrestres...

*Terra chama André*

Ah sim, lá estava eu... perdido no universo sem sair da cadeira. Tenho universos dentro de mim. Sou tão grande e sou tanta coisa, sou explorador do irreal e imaginário. Sou páginas de livros por escrever e filmes por fazer. Sou fotografias futuras e melodias atonais. Sou tanta coisa.

*Consegues ouvir?*

Amanhã vou acordar e ser. Apenas ser. Vou viver todas as minhas emoções, vou amar até não poder mais. Amar é estar na estratosfera. Amanhã sou astronauta das sensações. Amanhã voo em direção às estrelas e amo-as. Amanhã não sou Major Tom para me alienar do mundo, amanhã sou um mundo.


*Preparar para aterrar... 5, 4, 3, 2, 1...*



sábado, 9 de janeiro de 2016

Eat, sleep, complain, repeat

As vezes só é preciso mudar. Sentir o peso da mudança. Por mais pequena que seja. A vida é melhor se tiver mudanças. Não. A vida é feita de mudanças. As mudanças fazem a vida valer a pena, mesmo quando só aparecem de tempo a tempo.
Adoro falar da monotonia da vida porque é um tema que me diz tanto. À 8 anos que me levanto às sete e meia da manhã, em dias de semana, almoço ao meio dia, lancho às cinco, janto às oito e durmo às onze. Como posso dizer que o amanhã é um mistério quando posso dizer o que vai acontecer amanhã, ao minuto.
É aborrecido repetir coisas como uma máquina industrial...

Brrrrrr... Beep... *sai produto*... Brrrrr... Beep... *sai produto*

E assim sucessivamente até à eternidade.


Gosto de mudanças e experimentar, o mundo é tão mais que as longas planicies do interior alentejano.
A chave do meu coração são novidades. Tenho necessidade de novos ares, tenho necessidade de novas coisas. Comidas, arte, personalidades.
Prefiro um sitio com personalidade a um sitio de luxo. Em vez de um restaurante com 3 estrelas Michelin e empregados zombie que digam "Bon appetit", prefiro um bar ranhoso à beira-mar, com música ao vivo e empregados com sentido de humor que digam "tá aqui a comida, caralho".

A frase mais comum do meu blog deve ser: quer(o) o mundo. Nunca isso foi mais verídico que agora.
Portanto espera por mim mundo, porque eu vou tomar-te de assalto, e quando o fizer, não vou deixar pedra por virar ou onda por ver.


domingo, 27 de dezembro de 2015

O ano em resumo

Outro ano se passou, outro ano a escrever num blog sem futuro, a viver baixas expectativas e a querer o que não posso ter.
Ao menos um ano cheio de emoções cheias posso dizer. De experiências que vou guardar no cantinho mais resguardado da minha memória, não só porque não as vou esquecer, mas também porque não as quero esquecer.
Fui a festivais e concertos, vi alguns dos melhores artistas do mundo e vi bandas locais que deram espetáculo com os seus covers maisquecomuns das músicas dos Xutos e dos Guns,  li clássicos literários e teen novels, vi a estreia mundial do novo Star Wars, vi das paisagens mais bonitas que este país tem para oferecer e encantei me pela personalidade da grande metrópole. Perdi pessoas que admirava e umas quantas outras que nem tanto. Amei e fui amado incondicionalmente, até já não haver condições para tal.
Entreguei me de corpo e alma a tudo, aprendi que a poesia é muito mais que rimas, a poesia é a alma do poeta no papel, aprendi que Fernando Pessoa e Cesário Verde abusavam UM BOCADINHO no absinto, e descobri que por isso são dois dos maiores poetas do nosso país.
Descobri que tenho medo de não fazer nada daquilo que quero fazer, até apresentei um trabalho na escola sobre isso, a dizer que nem todos iamos ter lugar na história e por isso devíamos dar valor às pequenas razões da vida, a hipocrisia é realmente a maior virtude do ser humano.
Mas apesar de toda essa crise existencial - chamemos lhe crise de sexto de idade- aprendi que realmente são os pequenos momentos de intimidade que dão valor à vida
Ar, comida e água são necessários à vida, mas intimidade, prazer e amor são as razões pelo qual vale a pena viver.



E para o ano?

Continuarei a escrever neste blog sem futuro, continuarei a perguntar-me onde pertencem as pessoas solitárias, continuarei a amar incondicionalmente mesmo sem condições. Serei nada mais, nada menos que eu próprio. O mesmo miudo confuso, possessivo, (não clinicamente) deprimido, que quer voar apenas porque gosta da liberdade dos pássaros e quer o mundo, mas não o quer sozinho.

Vendo bem as coisas só me faltou experimentar sushi...





PS: Convido-vos a verem o video e a ouvirem e a reparem no sorriso enorme na cara do vocalista, a minha interpretação da música é que ela fala da juventude e de aproveitar enquanto somos jovens, e ele está visivelmente a aproveitar aquilo que faz. Sorrisos são tão contagiantes quanto espirros ou bocejos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Palavras caras e rimas brancas

Icebergs, sou maior
Sou tu, sou todos,
Sou a imagem na tua cabeça,
Sou o refrão repetido até à insanidade.

Há dias em que podia morrer,
Mas hoje não é um deles

Hoje sou rei,
Rei da inconveniência,
Rei da perversolândia,
Rei do meu cantinho à esquerda
quando se sobe as escadas lá em casa.

E sou louco,
Como todos os dias,
Porque escrevo sobre ser louco,
Porque me sinto a desaparecer por entre os lençois,
Porque as minhas paredes ja sabem o quanto eu quero
Aquilo que quero.

Passo pelos anos.
Vivo, mas nunca vivendo.
Faço céu e inferno,
Tenho o Diabo no corpo
Ou então sou Deus.
Ninguém sabe. E nunca saberão.

Sabem? Hoje é daqueles dias em que não se morre.
Hoje vive-se a doce ironia da vida.
Hoje não se morre, hoje é-se.








domingo, 13 de dezembro de 2015

Génesis 3:19

Odeio funerais. Odeio, odeio, odeio...
Faço o que for preciso para nunca mais ter que ir a um funeral na vida. A ultima memória que se deve ter dos mortos é a vida, não um corpo sem vida dentro de uma caixa de madeira.
Eu percebo o conceito de funeral e sei que um dia vou ser obrigado a ir um, ou pior, organizar um.
Mas um funeral é uma celebração de uma vida, então porque é tão triste? Até é das poucas alturas em que a família se junta toda. A minha mãe diz sempre que só vê o resto da família nos funerais.
Uma vida acabou, "porquanto és pó, e pó te tornarás", mas um funeral é para os cá ficam. Então digam-me se sou eu que fico cá porque não posso fazer o luto à minha maneira? Porque não posso guardar a minha amargura para mim? Porque não posso guardar as boas memórias em vez de ser obrigado a ver um corpo sem vida, vazio e completamente contraditório daquilo que a pessoa tinha sido em vida? Nunca conheci ninguém que gostasse de funerais.
Eu até diria que não quero choros no meu funeral, mas sinceramente, façam o luto à vossa maneira, eu não me vou importar.
O meu luto não inclui funerais ou velórios, carros funerários ou casas mortuárias. O meu luto memórias, sorrisos e lágrimas, momentos que eu guardo com todo o carinho que o meu corpo é capaz de oferecer e mais felicidade que tristeza. Fiquemos tristes pela morte, mas fiquemos felizes pela vida.

"Então morrer por morrer, que seja a rir."- Vasco Santana









segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Adeus, meu amigo

Para o meu pseudo-bigode, que me acompanhou desde o início do mês, e nunca chegou ao auge do seu potencial. Obrigado por tudo.

Nem sei como dizer isto. Este é um adeus temporário, isso te garanto, mas de momento não posso mais. Algumas amizades tem que ser destruídas para testar a sua resiliência ao teste do tempo. É o caso da nossa meu caro.
No inicio a nossa amizade era pouco mais que superficial, uma coisa estética para mostrar ao mundo que, também eu, fazia parte da grande moda mundial que era o #movember, mas tão depressa se tornou mais que isso.
Foste parte de mim, estiveste sempre comigo, não interessa o que eu dissesse estavas sempre por cima das minhas palavras.
Quem diria que eu tinha um amigo mesmo por baixo do meu nariz?
Acredita que não foi fácil aturar te, comichoso e irritante como por vezes eras, necessitado e pedinchas de cuidados continuados.
Eras um ser incompleto, defeituoso, ou talvez fosses apenas imaturo, não eras robusto como muitos dos teus irmãos que vejo andar com outras pessoas. Eras como eras e cheguei a ser gozado por andar contigo, perdoa-me por dizer isto mas cheguei a pensar deixar-te muito mais cedo... Sim eu sei, desculpa-me, mas a verdade é que por vezes achei que não valias a pena as bocas e os risos.
Mas em todos os teus defeitos, tinhas as tuas qualidades, completavas-me, eras proporcional em todos os aspectos e eras adaptável. Eras doce e meigo, e parte de ti vai sempre crescer em mim.

Meu Deus como vou ter saudades tuas...

Tive que te deixar ir, para o bem de ambos, preciso de ver outras coisas, experimentar coisas novas, espero que compreendas.
Não é um adeus definitivo, terás sempre um lugar especial no meu corpo e no meu coração.
Que o destino nos aproxime enquanto nos separa.
Obrigado por tudo e até já, companheiro.


Do teu amigo, hoje, agora e sempre.

André Ginja.









terça-feira, 17 de novembro de 2015

Keep your head up...


As vezes é só o que é preciso. Ser orgulhoso por uma vez, abdicar da humildade que tanto me caracteriza e dizer: "eu sou mais importante".
Eu tentei abraçar a escuridão, mas é impossível respirar submerso. Eu já não sou eu. Eu não sou ninguém. Eu sou toda a gente.
Sou tu, que me marcaste de alguma forma na minha insignificante existência. Ou tu, que me disseste a palavra certa na altura certa. Eu nem sequer sou o mesmo "eu" que era ontem.

Keep your heart strong...

E as cicatrizes que vêm com o ser? Essas ficam. São marcas de guerra. Marcas de um mártir. Um mártir na batalha da vida. 100% das pessoas que vivem, morrem (conclusão do século...).
E passo o tempo a observar, e a observar me, deixo me levar pelo aborrecimento diário e rotineiro da procura pessoal de adolescente, borbulhento, triste e convicto que é um Homem feito.
E passo o tempo a esperar que a força da maré me faça um Homem.

Keep your mind set...

Enquanto espero, vivo. Convivo. Amo. Odeio. Faço o que quiser fazer. Vou até onde quiser. Faço amor com os meus sentidos. Conheço me. Conheço os outros. Conheço quem quero conhecer.
Sou um puto que quer o mundo antes de ser um homem. Que mal tem isso? Posso sonhar? Sonho tanto. Ja dizia António Gedeão: "o sonho comanda a vida". Neste mundo já não cabem todos os meus sonhos. Os sonhos que me fazem, e desfazem. Se nós aceitarmos qualquer coisa abaixo do sonho, de que serve sonhar?


... and your hair long





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.