terça-feira, 31 de julho de 2018

Revelação Niilista pt.1


Uma revelação caiu sobre mim como a noite cai num dia de verão. A vida não dura para sempre. A vida existe o tempo que existir, nos estamos cá na nossa existência mísera e insignificante e depois desaparecemos. Desaparecemos para o desconhecido para sermos esquecidos e engolidos pelo vácuo do espaço e é como se nunca cá estivéssemos estado.
Um perpétuo estado de nada. Uma vida que no seu cerne, não é mais que uma coincidência passageira num universo cheio delas.
Ou então, na melhor das hipóteses somos um erro da criação, a quem deram a consciência, ou melhor, a penitência de olhar perpetuamente para cima e para fora, porque nos fizeram vazios demais para olharmos para dentro.
Se Deus nos fez, porque nos fez Ele? Senão para nos observar como um Pai desapontado?
A vida, seja qual for a sua origem, tem toda o mesmo fim, o fim desta.
Há algo de cruel em dar um mundo cheio de oportunidades e momentos, e em dar uma estrutura capaz de guardar esses momentos até ao ínfimo pormenor, e não dar tempo suficiente para explorar tudo.
Existem selvas e savanas, desertos e metrópoles, amores e amizades, alegria e tristeza, e nem num milhão de vidas o ser humano conseguiria explorar tudo aquilo que o mundo oferece.
Receio procurar o valor intrínseco da vida porque tenho medo de chegar à conclusão de que não existe, como uma criança que descobre que magia não é mais que uma ilusão visual.
Que valemos então? Um conjunto de átomos e partículas não mais valiosas nem mais essenciais que qualquer conjunto de partículas que exista no universo. Lavoisier disse que "no Universo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", então tem que existir uma parte da nossa existência que fica depois da desintegração da parte corpórea, o que significa que nós nunca desaparecemos mesmo. Para muitos isso é um alívio, para outros é um receio, para outros é uma felicidade. Para mim é um "ok, existo mas não estarei vivo". Até que ponto é que isso é melhor ou pior, ou até diferente do meu estado de espírito?

sexta-feira, 27 de julho de 2018

In Other Words


A Lua corou hoje
Talvez lhe tivessem dito aquele ditado do banco e do tamanco
Ou talvez lhe tivessem dito coisas bonitas
Mas duvido, nunca ninguém lhe presta atenção,
É só aquela coisa que aparece todas as noites e nunca muda.
Talvez ela se tenha fartado disso e hoje queira chamar a atenção.
A Lua vestiu um dos seus melhores vestidos vermelhos hoje.
Aperaltou-se como quem vai para uma festa e não sabe o dress code.
Que tonta! Não sabe que aqui na terra o melhor que se faz, faz-se sem roupa.
A Lua hoje está vermelha.
Um vermelho claro que não é encarnado,
Mas também não é cor de rosa.
É cor-de-burro-quando-foge
É cor-de-Lua-quando-ela-nao-sabe-de-que-cor-quer-ser
A lua hoje está vermelha.
Vermelha de que? De sangue?
Nunca lá morreu ninguém.
Nem nunca ninguém morreu por ela.
Ela até merecia que morressem por ela.
Mas mais gente já morreu por razões estupidas do que pela Lua.
Espero que olhem para a Lua hoje
Ela está bonita
Devíamos todos procurar olhar para as coisas bonitas
Mesmo quando elas parecem banais, às vezes basta elas mudarem um bocadinho,
ou o observador mudar a perspectiva.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Há algo de familiar na solidão, como se se falasse com um velho amigo que há muito não se vê. Uma discussão aguerrida entre duas pessoas que concordam em tudo mas não aceitam a opinião um do outro.
Ninguém se devia habituar à solidão, quando a solidão se torna familiar, quando ela faz casa em alguém, é difícil de expulsar. É ao mesmo tempo uma droga viciante e um monstro a evitar a todo o custo. A solidão é progenitora de Deus e porteira das maiores criações e sonhos da humanidade, é também o maior depressivo à face da Terra.
O solitário para acabar com todos os solitários é aquele que procura viver os seus sonhos 24/7. Aquele que pensa que vai conseguir não é solitário, é tolo.
O sonho é condição necessária para a solidão. A solidão pega-se ao sonhador como um parasita e suga-lhe toda a vontade de realizar, não lhe suga os sonhos, a solidão alimenta-se da ansiedade e da vontade de viver.
Existe uma tristeza inerente aquele que é solitário, não por não viver a vida, não por só sonhar, mas pela sua incapacidade de perceber que a vida na sua essência, não é nada mais que a junção dessas duas coisas, o viver e o sonhar e que a solidão não é mais que uma barreira que separa a vida do sonho.



quinta-feira, 1 de março de 2018

Abre-te, Sésamo

Hoje vi a rapariga mais bonita, sentada no metro em direção ao cais.
Não era bonita no sentido de o ser, era uma daquelas pessoas cuja beleza transcendia todas as leis da física, naquilo que constitui ser um ser e criava leis novas sobre algo que seria (na nossa linguagem em relação a este tipo de assuntos que apesar de sabermos muito, será sempre a de leigo) a beleza mais bonita que a soma da beleza de cada uma das suas partes.
Normalmente nós referimo-nos à como algo é bonito ou como aquela parte de algo é bonita, hoje naquela rapariga -

Só quero dizer que vou no comboio a escrever isto e só agora reparei que a minha estação já passou à muito -

vi algo, nos seus cabelos loiros; no livro que lia, as "1001 Noites"; e na forma como não tirava os olhos do livro, o metro podia ter saído dos carris e poderíamos ter morrido todos que ela continuaria enterrada no seu livro.
Quando os filósofos se perguntavam qual a origem da beleza e se esta seria ou não subjetiva, nota-se que nunca nenhum deles nunca terá visto esta rapariga, se tivessem visto saberiam que a origem da beleza estaria indiscutivelmente no observador e não no objeto em si, e a subjetividade da beleza seria ponto nulo assim que eles tivessem, por uma vez na sua mísera, pobre, rotineira, infeliz vida de filosofo, olhado para algo como eu olhei para aquela rapariga.
Eventualmente ela saiu na sua paragem, e eu na minha para provavelmente nunca mais a ver, terei ficado triste? Não. Como um velho Ricardo Reis provavelmente diria, por uma vez, ainda bem que esta rapariga não me disse o seu nome, não falou comigo, nem sequer olhou para mim mais que uma vez, ainda bem que se foi embora e me deixou com estas questões para sempre, pois a minha despedida anterior, a minha desvinculação abrupta à fonte da essência desta minha filosofia, foi assim rápida, indolor e necessária.
E provavelmente, ainda assim fiquei com mais memórias que aquelas que me serão saudáveis, pelo que vou ter que exorcizar estes momentos e questões do que teria sido.
Dedico assim este texto à menina do metro, que os teus cabelos loiros façam alguém feliz e que alguém te dê 1001 noites como naquele livro do qual não tiraste os olhos.

Daquele a quem quase fizeste repensar uma filosofia de vida sem sequer o olhares nos olhos

André





terça-feira, 31 de outubro de 2017

pseudo semi manifesto


somos um mundo de representações sim
tudo a nossa volta e aproveitado ao maximo para criar uma imagem hiperbolada mais bonita e mais
de plastico de algo que na realidade e tão pior ou mais frequentemente mais simples
temos publicidade de todas as cores do arco iris de produtos faceis baratos e que nos matam aos poucos
atraves do trabalho gastamos a vida a produzir para tentar arranjar meios de comprar aquilo que nos salta aos olhos aquilo que todos tem aquilo que nos temos que ter para nao destoar a credibilidade coletiva do capitalismo corporativo contemporaneo
destruimos partes de nos para sermos mais um gemeo de prada
as gravatas ao pescoço sao forcas relogio na miserabilidade da rotina
lutamos guerras pela paz
tentamos impor paz a força
inseguros
insatisfeitos

vamos ao ginasio para manter uma imagem hiperbolada por fora para disfarçar que somos vazios por dentro
pagamos um copo a pessoas que desprezamos e comentamos os podres dos outros como se fossem as nossas vitorias pessoais
apaixonamo nos por premios de consolaçao porque mais tarde ou mais cedo descobrimos que amores de hollywood nao existem
gostamos mas nao amamos nao ha ouro prata serve vamos mas nao ficamos
amor de farsa amor sintetico
ate o sexo que e suposto ser a parte mais primitiva do ser humano e corrupta pela ideia de pornografia pessoal em que o que interessa nao e o nos mas a camara hipotetica em mim e na money shot
somos livres na nossa jaula
somos conscientes sob a influencia
somos egoistas e ao mesmo tempo vitimas da ganancia
somos moldados pelo mundo perfeito dos outros no instagram pelas fotos no starbucks e fotos na praia
o grande irmao ve nos atraves das nossas proprias camaras
nao fazemos decisoes deixamos para amanha ou depois ou depois dos 35 e perdemos assim a vida a investir em nada

somos uma geraçao sem objetivos sem vontade e uma geraçao de nenhuns uma geraçao pseudo semi orwelliana de pessoas sem opiniao em que todos pensam ser diferentes mas sao todos graos de areia

como formigas em fila
debaixo de uma lupa ao sol. 




quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tábuas

Poesia é a morte do não-artista, a folha o seu caixão.
Escrito foi o epitáfio daquilo que um dia foi um ser semi-vivo 
até ter sido morto pela poesia,
e reencarnado para a existência maior 
daqueles que contam os segundos da sua existência,
não pelos números mas pela essência.


O poeta nasce logo na primeira palavra pensada sem intuito 
senão a intuição do prazer e a chamada do dever intrínseco a criar algo novo.
O poeta constroi assim as tábuas do seu próprio caixão, 
deixando a cada palavra um pouco de si no seu túmulo.

Ou seja para o poeta existir tem que haver a morte, 
talvez a morte da inocência, mas o poeta nunca morre, 
anda no entanto numa valsa contínua com a morte, 
quase de lábios pegados, como uma amante.

(Entenda-se na morte metafórica tudo aquilo que mata (ou não), mas moi sempre.)

Sendo assim será um poeta algo maior? NÃO! 
Pois o que é o poeta senão mais que o homem, 
mas simultaneamente um homem e ainda menos que o homem? 
O poeta é, em última análise, só aquele que vive o mesmo mundo que o não-artista, 
mas que presta atenção, mesmo quando isso lhe custa, 
trágica e irreversívelmente, a sua inocência.




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ramblings and love bullshit about everyone and no one

I feel so fucking lonely. I love you so much. I hate writing in English.
Por alguma razão quando fico nervoso ou ansioso ou whatever, so consigo pensar em inglês. Ajuda-me a distanciar me de mim e a ter uma forma mais subjetiva e racional das coisas.
Se bem que não é muito racional porque racionalidade nunca foi o meu forte...

Sempre amei sem ponta, sem cerebro, sem limite. Amei com corpo e coração e o resto que se foda...
Mas o que se faz quando um coração habituado a amar fica preso um loop inexplicável durante um tempo interminável?
Ouvi dizer que se pode morrer de coração partido. Eu provavelmente vou morrer disso visto que tenho um coração tão sensível que não aguenta a solidão.

Quando falo em solidão tenho a noção do quão hipócrita estou a soar, quer dizer, passo os dias com pessoas que adoro ou amo até...

Mas não sei, quanto mais pessoas tenho à minha volta, mais quero enfiar a minha cabeça num buraco, não confesso o que me vai no coração a ninguém a não ser a este blog que, graças a Deus, ninguém lê.


Oh foda-se... Este é mais um texto de amor não é?


Penso em tanto e nada me sai, olho tanto e nada me agrada, amo te tanto, e...

Não sei o que fazer, não sei o que te dizer, e estou tão só... 
Vem. Vamos ser hipócritas juntos. Vamos odiar o mundo e amar mo nos um ao outro. Queixar mo nos dos problemas até sermos velhos, prometo fazer te massagens nas costas para acalmar os bicos de papagaio, e tu podes dar me as mãos para acalmar as artrites, sentados num alpendre num qualquer filme romântico, em frente ao pôr do sol e essas mariquices todas que eu adoro... 
Olharmos um para o outro até nos odiarmos também e depois nos apercebermos que nos amamos e assim apaixonar mo nos pela primeira vez todos os dias...


Até lá, amo-te 



P.S: Eu sei, eu sei... cheesy as fuck, mas eu tenho o direito a sonhar que um dia vou ter esse tipo de amor... Espero eu... E espero paciente...

P.S.2: -Entrou neste momento uma "boa nova" no meu quarto (para quem nao sabe é um tipo de borboleta), a minha avó costumava dizer que essas borboletas traziam boas noticias, esperemos que ela tenha razão.

P.S.3: Ly, até amanhã

05:07

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Insectos felizes

Pessoas, pessoas e mais pessoas. Passam nos seus carros, comboios e aviões. Alguns percorrem o mundo e outros apenas percorrem o caminho até ao trabalho. Vão em direção a sítios diferentes, mas sempre com o mesmo destino, a felicidade.

E agora pergunto-me, na história da humanidade, quantos é que chegaram lá?

Ainda estou para conhecer a pessoa que é completa, a pessoa que sabe, como um facto, que não precisa de mais nada na vida.
E este facto inegável da existência humana deixa me tão triste. Desiludido mesmo. O saber que por mais que faça, por mais que tenha, por mais que procure, nada me vai preencher o vazio daquilo que não tenho, daquilo que não fiz e daquilo que não procurei.

E isso leva-me a andar por aí, sentindo-me um insecto, como naquele livro do Kafka que me ficou a matutar na cabeça.
Muitos são insectos assim, perdem a esperança e andam por aí, desiludidos apenas. Vivem a vida, sabendo plenamente que nunca serão verdadeiramente felizes, que a felicidade em que muitos vivem é apenas uma ilusão criada por nós para nos sentirmos melhores com nós próprios, para darmos esperança à nossa vontade de viver de que um dia, talvez, possamos ser felizes.

Eu não me iludo, à muito tempo que não me sinto verdadeiramente "feliz".

Mas eu não serei insecto Kafkiano, em que a única solução é morrer para parar de ser um fardo.

Eu quero tentar, eu quero experimentar, pois se não chegarei à felicidade completa, quero estar o mais perto possível dela. Quero sentir a felicidade na ponta dos dedos, saborea-la na ponta da língua, olha lá nos olhos e dizer: "tu um dia vais ser minha". 

A felicidade é como uma mulher bonita que sabe que o é, não é "vim, vi e venci", tem que se conquistar com paciência. (Eu faço estas analogias com mulheres, mas não levem a sério porque eu estou solteiro Deus sabe à quanto tempo).

Resumindo quero desafiar Kafka, e dizer que se eu sou um insecto eu não vou morrer...

... Vou voar, hei de ter a minha metamorfose, hei de ser traça ou borboleta, hei de ser feliz ou morrer a tentar.





terça-feira, 23 de maio de 2017

Felicidade



24 de maio de 1998. Nasci. Era primavera. A minha mãe diz que estava a chover nesse dia. Acho que faz todo o sentido estar a chover.

Eu sempre gostei de chuva, acho-a de certa forma purificante. Se como quando estou à chuva todos os meus pecados deslizassem por mim como areia pelas mãos de uma criança.


Mas hoje não chove.



24 de Maio de 2017. Continua a ser primavera. Estão 30 graus lá fora e se o amanhã não existir, que o hoje seja um festão do caralho.

Porque o agora não é mais garantido que o amanhã e o ontem já passou. É assim, efémero, o momento que passa e não nos diz nada. Inútil, o momento que não nos deixa um sabor na boca e um peso no coração.

Portanto sentirei a energia do momento, de todos os luminosos prazeres intrínsecos a cada lugar único exposto à quarta dimensão.

Viverei com emoção todo o momento emotivo a que serei é exposto não deixando pingas no final do copo ou suave beijo por dar.

Dar-me-ei por completo ou não de todo. Abrir me hei a quem quiser, corpo e alma.

Fumar, beber, foder, gritar, beijar, sei lá, mas farei.

Eu farei. Hoje não quero deprimências. Hoje podia queixar-me mais uma vez de como não tenho um corpo para me aquecer a cama a noite, ou de como em última análise a vida passa e significa zero, mas não. Hoje não quero chorar. Hoje sou feliz, amanhã logo se vê.

Alguém me disse uma vez "faz da vida o teu palco, e para ti, um eterno aplauso".

"E se inventassemos o mar de volta?"

Porque no final, como alguém me disse uma vez: "até é uma boa vida, André Ginja."







"Please, remember me. Happily"





segunda-feira, 10 de abril de 2017

Espero amar

É difícil dizer "eu amo-te". São palavras fortes que significam muitas coisas: são assustadoras, mas catárticas; são fortes, mas libertadoras; são ásperas e no entanto, tão suaves.
Eu sempre fui sentimentalista, sempre acreditei que essas três palavras só deviam ser ditas com sentimento. Não o vulgar "eu amo-te", mas a súbita realização "... eu amo-te". Essa realização é das coisas mais intensas que se pode experienciar.
Pensando em todas as vezes que o disse com sentimento apercebo-me que no momento em que o disse, não houve intervalos, hesitações ou pausas, apenas uma frase dita que, tal como um sonho, não sei de onde veio, apenas caiu alí, instintivamente.
De todas as vezes em que me disseram essa frase, eu sabia, no fundo da minha mente, que tinha que fazer uma decisão numa fração de segundo, dizer de volta ou não dizer de volta. E de todas as vezes em que senti algo, não demorei uma fração de segundo a responder, pois quando me apercebi ja o tinha dito: "também te amo", e essa instantaneidade quase primitiva é algo que vou guardar sempre nas minhas memórias, porque senti algo maior que eu, algo que me levou a responder aquilo que queria dizer, mas sem eu me aperceber.
Sentia todos os significados da palavra amor e da expressão "amo-te", pois não significa só "quero-te", significa também "quero que estejas comigo e para mim". "quero que me queiras", "quero que me apoies" e muitos outros, mas é também uma promessa de reciprocidade de todas as coisas que se pretende da outra pessoa, ou seja, quando dizes amo-te, tens que estar disposto a dar tudo aquilo que esperas da outra pessoa. E era isso que era o amor.
Não sei porque é que os Foreigner disseram tantas vezes que queriam saber o que era o amor, quando a resposta estava mesmo à frente deles. A resposta era muito simples, o amor foi o que os influenciou a escrever a música, o amor é o que nos movia, que movia as montanhas e mantinha os rios em curso. É o que faz a minha vida valer a pena, amor. Amor que sinto por todas as pessoas que amo, que alguma vez amei e que algum dia vou amar. Essa forma de ver as coisas era algo que fazia de mim... mim (se isto fizer algum sentido).




"Tell them, I've been licking coconut skins, and we've been hanging out. Tell them, God just dropped by to forgive our sins, and relieve us our doubt"












Então olho para mim a ficar um pouco mais triste todos os dias, pois sinto que o "poeta" romântico que existia em mim está a morrer aos poucos ou hibernado. A minha vida cada vez menos se governa pelas emoções e sentimentos, as emoções são apenas uma forma do corpo reagir e proteger-se do ambiente que o rodeia e o amor é uma descarga de hormonas, dopamina e oxitocina no cérebro.
Estou a ficar mais e mais niilista a cada dia que passa, e isso assusta-me porque eu não estou habituado a não querer saber de nada. Toda a vida tive algo com que me preocupar e agora todas as pessoas que eu amava e todas as coisas que me preocupavam estão longe de mim.
Aos poucos estou a deixar de sentir. Eu não quero deixar de sentir. Eu não me sinto vivo se não sentir nada. Espero acordar depressa. Espero amar.

A
M
O

T
E









terça-feira, 7 de março de 2017

Epifania

Não tenho escrito ultimamente. Não sei porque. Simplesmente falta me tudo, assunto, tempo, vontade... Já o grande Saramago dizia:
“Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada a dizer”.

Então penso que estou a cometer um crime agora mesmo, porque eu estou simplesmente a deambular, estilo pseudo-Cesário Verde.
Mas estes momentos de deambulação são bons para olhar para mim próprio e pensar no que se vai passando na minha vida: SPOILER ALERT: não é muito.

Posso dizer que a minha vida ficou muito estranha desde as ultimas vezes em que escrevi aqui. Quase 180º.
Perdi toda a fé em tudo o que tinha fé. O meu hino é José Régio:
"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!"
Perdi a fé nos meus sonhos, no amor, em tudo que pensava inabalável e que me faziam quem eu sou.
Sinto-me perdido num mundo muito maior que eu e que nada me deve.
Eu tinha milhares de sonhos, e julgava que tinha a certeza que os ia cumprir. Os hospícios estão cheios de gente com certezas, e eu, já não as tenho. É talvez mais uma coisa que perdi.
Mantenho a minha inocência, e o meu amor pelas pessoas, mantenho a minha saudade e o meu amor pelos meus amigos e não muito mais.
Daqui a duas horas vou levantar-me para mais um dia avarento numa das cidades mais bonitas do mundo, vou ter aulas para um curso que aposto me vai dar mais perguntas que respostas no futuro.

Tudo para encontrar o objectivo máximo da existência humana, a felicidade. (Yey ja tenho tema para outro texto).

Por enquanto penso em Pessoa:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

E fico por aquí, sem conclusão certa, um poema sem moral, uma piada sem punchline, poderá ser talvez algo que te relacione um pouco mais comigo, talvez tenha mudado a minha vida sem o saber, ou a tua, talvez todo este texto tenha sido uma bela perda de tempo, do meu, do teu e quem o ler, mas foi bela. Talvez a beleza das coisas às vezes não esteja no significado que têm, mas sim no gosto que nos dá. Talvez eu comece a pensar nisso. Até lá, sonho sem certezas, cito Pessoa ao vento, e canto baixinho José Régio no metro, vou acabar de escrever a letra do Traçadinho naquela mesa lá na Universidade, deambularei.

Porque essa sim é a parte mais bonita da vida, quando as coisas que fazemos, por mais loucas, estúpidas ou estranhas que sejam, fazemos por gosto.


"Não sei por onde vou, Não sei para onde vou! Sei que não vou por aí!"



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tangerine Skinned Bastard

How does Donald
The racist, narrow- minded millionare, bald sexist mogul,
Campaigning on a whim,
Wins the race and destroys what's left of the U.S reputation

WELCOME FOLKS TO THE TRUMP ADMINISTRATION!

He is the leader of the most influent government,
Why did you chose to burn instead of the Bern over him?
"You're fired", he said while trying to get on his daughter and dropping his pants and the bombs,
(Incest)

The world gave their response...

STEP DOWN TRUMP YOU FAT MOTHERF-!!!!






                                         
                                                                                          The Original Cast of Hamilton- The Adams Administration







sábado, 10 de setembro de 2016

Tilia, trevo e betão

A modes que hoje tive a certeza que a minha vida vai mudar. Vejo toda a gente feliz à minha volta, e não me levem a mal eu também estou a rebentar de felicidade pela mudança... mas bem... estou e não estou.
Sempre adorei mudança em tudo o que pudesse mudar, mas tenho que admitir que não consigo deixar de sentir aquele frio na barriga e aquela estranheza na previsão do que vai acontecer.

Vou para a cidade

Sou um rapaz do campo, cresci entre galinhas e perus ("píruns" se vierem donde venho). Subi às árvores e esfolei os joelhos a jogar à bola num campo que só podia ser equiparado a um campo de batatas. Aprendi os animais e as plantas que havia no quintal da minha avó (apesar de até à pouco tempo não ser capaz de distinguir salsa e hortelã... hei sou do campo, mas não era o cozinheiro...). Descobria atalhos até casa pelos quintais dos vizinhos, distingo o pombo da rola e o melro da cotovia, tomava banho nos tanques, tive um grilo de estimação, incomodava o bicho-da-conta só para o ver enrolar-se, acho que "aventar" é uma das palavras mais bonitas do mundo, e enquanto escrevo esta frase o galo do meu vizinho anuncia a madrugada a quem o ouvir.





Agora vou ter uma volta de 180º








Vou para a cidade grande, trocar os galos pelas buzinas, o silêncio pelo caos, as árvores pelos arranha-céus, as açordas pelas refeições rápidas e os atalhos dos quintais pelos horários do comboio.

Trocar este sossego pelo escabeche da cidade

A cidade é tão grande, e eu tão pequeno...

Mas talvez isso funcione a meu favor. Ser pequeno, pequeno como o grilo na minha gaiola. Nunca lhe dei um nome. Talvez eu na cidade possa ser mesmo isso, sem nome. Desconhecido, incógnito, um. Posso aprender a ser, sem ser. A existir, numa existência passiva-agressiva, em que me atiro de cabeça ao mundo, mas sem ser mais do que o que sou.

Talvez um dia a cidade me engula. Ande arredio. Talvez quando voltar ao campo já não conheça o alecrim. Talvez me torne cidadão.

Mas como dizemos aqui no meu belo Alentejo "tenho que m'àguentar com esta moenga"

Tenho medo de me afogar na confusão, sim estou assustado.

Mas vou fazer o melhor que faço sempre, sorrir à mudança...

E adaptar-me. Porra.





sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Calma da Loucura



Vou escapando. Escapando da mente aos poucos. Mas já chego a essa parte.
Agora tenho a dizer que é desta. É desta que eu enlouqueço de vez.
O mundo desliza aos poucos lá fora, e eu escapo aos poucos cá dentro.
A capa do meu CD preferido está meio partida por causa do uso.
A música é um atrofiado de cordas e violinos e palavras sem sentido.         
                                                                                                             

                                                                                "fuckify everything"


 Os quadros e desenhos do meu quarto dizem me mais que as fotografias emolduradas.
As guitarras estão afinadas em afinações atonais.
As minhas notas estão em todo o lado. Durmo com o bloco debaixo da almofada.
Nunca se sabe o que vai aparecer em sonhos. 


Spoiler Alert: és sempre TU



Todo o processo de fugir da mente tem repercussões. Especialmente na imagem. Mudanças drásticas, no penteado, na roupa. Nota-se na sede de contacto e na sede de fazer. Fazer coisas. Todo o tipo de coisas que possa exteriorizar a fuga do que está cá dentro.





A mente precisa de escapar. Para longe, dentro de si própria.
Para o fundo de si própria. Escapar para as coisas sem sentido,
para as coisas que não necessitem muito trabalho da mente:

Falo do escapismo para a escrita, para os sonhos, para a tinta, para a música, para o amor e para tudo o que faz a mente deixar de funcionar. E faz trabalhar o coração.


E l e S  c H a M a M - l H e  A r T e . . . eu chamo-lhe fuga





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bloqueio

Tenho o meu computador ligado à minha frente na secretária e de fundo dá a música que escolhi para me "inspirar". Está quase tudo pronto. Tenho a temperatura adequada e tenho a certeza que ninguém me vai chatear.
Está tudo pronto para uma sessão de escrita. Se calhar é hoje! Se calhar é hoje que escrevo o meu magnum opus!
Tenho a cabeça a mil. Não escrevo nada de jeito à tanto tempo. Hoje vou fazer uma coisa de que fique mesmo orgulhoso.

É agora. Vamos a isto.

Sento-me e... nada...

Absolutamente nada!!!


Nada! Nem uma frase, um conceito, um inicio. Zero, bola!
Que frustrante!
É como tentar ganhar um concurso de pintar o quadro mais colorido, mas só ter tinta branca...

Então tento brincar com as palavras como se fossem comida num prato e eu sem fome. Criar frases articuladas, mas quanto mais escrevo menos sentido me faz.
Olho à minha volta à procura de ideias mas as coisas são só coisas. Não tem segundos significados nem várias camadas de innuendos. São pura e simplesmente coisas, tem a sua forma apenas e são uniformemente sem cor.

BAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Apetece-me gritar as paredes sem cor. É frustrante ter milhões de coisas presas dentro de ti à espera de sair, mas não ter maneira de as deitar cá para fora.

Podia deitar as coisas cá para fora simplesmente... dizer diretamente as coisas sem ter que se ler nas entrelinhas. Referir as coisas pelo nome, visto que as coisas no fundo são só coisas. Isso seria muito mais fácil.

Mas assim seria aborrecido. As pessoas gostam de desafios. Especialmente quem os cria para si próprios como eu que estou em frente ao computador a espera que algo se escreva por milagre ou "obra e graça do Espírito Santo".

Então escrevo, não escrevendo tudo aquilo em que pensei escrever. Escrevi no entanto, sobre o facto de querer escrever mas não conseguir escrever tudo aquilo que quis escrever.
Escrevi portanto sobre escrever.





quarta-feira, 27 de julho de 2016

Estrelas metafóricas e devaneios madrugadores

Uma coisa que vos posso contar sobre mim é que adoro as estrelas, mas tenho um amor especial à estrela polar. Não passa uma noite que eu não olhe para ela e não a admire, lá no alto, num sitio tão alto onde eu nunca chegarei. Eu olho-a à distância e o brilho que dela vêm mantém me orientado, mantém o meu caminho certo e seguro. "A minha direção é aquela estrela" - penso eu para com os meus botões.


É sem dúvida a estrela mais bonita que há no céu, apesar de nem sempre ser a mais brilhante.
Sei que consigo encontra la sempre que me perca, passei muito tempo a descobri la na noite para a saber encontrar em todas as situações, sem importar o quão escura ela esteja.

Mas cá está, é uma estrela. O que é um simples ser humano comparado a um corpo celeste? O que sou eu que apenas a admiro à distância contra um ser estelar com um brilho próprio e contagiante?

Sempre fui ambicioso, sempre quis o céu e os astros.
Talvez um dia me torne astronauta. E consiga conquistar a estrela.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Wanderlust

O sitio onde escrevo (que por acaso também é o sitio onde durmo), parece um forno nestas noites de verão.
Está um calor insuportável aqui, juro. Eu estou deitado em cima da cama, sozinho e a derreter e imagino todos os sitios onde queria estar agora (spoiler alert: nenhum deles é a rua da estação).
Com alguém nos meus braços, ou nos braços de alguém, bem longe.

Imagino-me em cima do capot de um carro, no meio do nada, com uma música qualquer, numa rádio qualquer, nesta noite, ou numa como esta, a ensinar constelações e a contar histórias da treta sobre as estrelas.

"Sabes a história de Altair e Vega?"

Ou então numa praia qualquer do mundo, daquelas que se vêem nos postais e nos filmes. Areia da cor do pôr do sol e água limpida como nós. Com um mojito numa mão, daqueles com uma sombrinha e uma palhinha que dá 30 voltas ao copo, a fazer um brinde à vida.

"A nós, à vida, e que ela nunca mude."

Ou até num quarto de um hotel ranhoso, no fim do mundo. Com uma tempestade dos diabos na rua. Numa cama de paletes e um colchão. A fazer planos para o futuro entre trovões e relâmpagos.

"Se me aqueceres neste frio, eu protejo-te dos trovões. Pode ser?"



Vamos embora. Estou em casa sozinho e está um calor dos diabos.




















domingo, 3 de julho de 2016

Até a lua

Deve haver coisas que odeio em ti... certo?

Odeio saber que choras, odeio saber que as lágrimas te caem e eu nada posso fazer. Sinto-me inútil, impotente, desnecessário, supérfluo.
odeio que chores, pessoas como tu não deviam poder chorar, devia ser ilegal. Pessoas amadas não deviam chorar.
Odeio a forma como não vens ter comigo quando queres chorar.
Odeio saber que tens defeitos e que um deles é chorar como uma criança. Defeitos vários que variam entre mudanças repentinas de orgulho e a pouca noção de uns ombros largos que pensam ter o peso do mundo neles.
Talvez odeie tudo aquilo que dizes e não me diz respeito? Odiar tudo aquilo que dás a outra pessoa que não eu?  A forma como andas? A forma como danças? A forma com que me fazes desejar-te às paredes? A forma como não vens quando te chamo? A forma das minhas lágrimas para ti?

Odiar as minhas palavras para ti.

Odiar o amor
Odiar o que me faz sentir
Odiar- te a ti por me fazeres sentir amor
Odiar- te a ti por me fazeres feliz

Odiar tudo

O amor é um filho da puta.

E eu talvez deva odiar-me
E eu talvez deva odiar-te

Mas não...


Já sei o que odeio...

Odeio o facto de não te odiar nem um bocadinho.

E odeio que o ódio seja o sentimento mais próximo do amor.




E é isto

"E no momento em que acabou, eles aperceberam-se que tinham vivido algo de especial"
Estas são as únicas palavras que me passam pela cabeça ao escrever isto. Estou sentado num sofá e os meus companheiros já dormem todos, sim companheiros, é exatamente a palavra que procurava. Eles dormem porque amanhã é mais um dia de festa (se bem que com este pessoal, todos os dias são de festa) e eu sento-me a escrever.
Porquê? Porque esta semana descobri algumas coisas muito interessantes: descobri que aquele clichê que diz "os amigos são a familia que se escolhe", é verdade. E descobri de que material a maior parte da vida é feita.

A vida meus caros, é feita de pirâmides de mini e garrafas de moscatel, de shots pagos pelo dono do bar, de caipirinhas feitas sem saber ou então cachaça com açucar. De caminhadas de 4 km até à praia e escaldões de Joni Lagostim, de ficar a saber os hits todos de cor porque a Comercial e a RFM passam as mesmas músicas 500x por dia à vez. De celebrar a pátria como se não houvesse amanhã, dizer mal do Renato Sanchez até ele marcar golo, ser treinador de bancada durante os jogos da seleção, celebrar quando o ciganão entra em campo e quase sofrer uma trombose quando o jogo vai a penalties.

A vida está entre bares de reggae e bares da praia, entre fotoshoots e sestas na areia, entre o "Isso Bar" e o mini-bar. A vida está na promessa de bater a Liga Knockout e de regressar.

E acima de tudo, a vida está neles, aqueles que agora dormem e tornam todos os dias numa aventura.

Obrigado companheiros.









quarta-feira, 22 de junho de 2016

Caír aos poucos

Olhei me ao espelho hoje. Com olhar eu quero dizer, olhar com olhos de ver. Notar todos aqueles detalhes que eu adoro notar nas outras pessoas mas odeio ver em mim. Desabituei-me a fazê-lo. Não sou o tipo de pessoa agradável aos olhos, e neste momento, pelo que vejo no meu espelho, não sou agradável de todo.
Tenho marcas nas maçãs do rosto, e tenho-as mais salientes o que significa que perdi peso, provavelmente. Tenho a (pseudo)barba por fazer, obviamente está cheia de falhas (e só aqui entre nós parece-se bem mais com um monte de pelos púbicos que uma barba). Tenho o cabelo atado apesar de não ter cabelo suficiente para o atar bem, cai-me para a frente dos olhos mas não tenho paciência para o pentear. Tenho a mesma roupa à mais tempo do que devia. Uns calções cinzentos e um wife beater preto. Tenho um ar desleixado, de vagabundo.
Mas no entanto é no meu quarto que me sinto mais vagueante, inconstante, sufocado, confuso, meio-amnésico, farto, e acima de tudo, sozinho.
Sei que não o estou, mas nesta altura da minha vida é a única forma que me consigo sentir. Tantas decisões para fazer, e cada uma delas me faz sentir mais afastado de tudo.
A pressão das decisões apenas pode ser comparada aquela que se sente no fundo do mar. As expectativas estão tão altas e eu nunca gostei de ter expectativas de qualquer tipo.
A parede branca nunca esteve tão branca, o calor nunca esteve tão frio, as estrelas nunca estiveram tão longe, o whiskey nunca teve tão forte, a musica nunca esteve tão triste, e eu nunca me senti tão desinteressante.
As palavras escapam-me naturalmente e isso é mau sinal, porque posso acabar por dizer coisas que não queira.
O mundo está mesmo sem cabeça? Ou sou eu que a estou a perder aos poucos?

Escrevo muito, mas nada que se aproveite. Penso muito, mas nada que se aproveite.
Devia mudar de roupa.





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.